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SÓ UMA CATARSE

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  Foto Web É apenas para jogar fora, talvez de maneira amputada, talvez pelas corruptelas de sentido. O SARS-Cov-2, mundialmente conhecido como Covid-19, é nada mais do que um RNA simples, minúsculo e altamente letal. Se qualquer um conhece a história da humanidade por alto, em qualquer de seu momento, em qualquer lugar, logo observa a guerra que os homens sempre travam, movidos principalmente  pela vaidade, com consequente luta pelo poder e pelo dinheiro. E não digo uns ou outros. Dentro de cada camada da sociedade, tão desigual, vergonhosamente desigual, é nesses momentos, onde as garras da fome e da sobrevivência se tornam ainda mais ferozes que o poder e o dinheiro, que se observa os predadores humanos, que não são vírus, mas seres.  E claro que, no viés dessa insólita luta, o pêndulo despenca para qualquer lado onde o homem é é abjeto e invisível nessa historia mal contada. Quando o ser se encontra  confortavelmente instalado em seus apetrechos de suporte à exis...

OS TENTÁCULOS DO RACISMO

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  Eu nasci em 1961. Nos anos 60, pelos menos nesse rincão da Zona da Mata de Minas Gerais, num país considerado um dos mais racistas do mundo, a questão nem era discutida. Não era um tema. Desde muito nova, eu assistia cenas que me faziam acreditar que os negros eram feitos para o trabalho braçal. Não posso negar isso, tampouco ser hipócrita neste meu espaço que, espero um dia, ser visitado pelos meus netos.  De que adianta pintar um quadro de mentira, dar asas às psicoses e sicoses que muitos criam em seus perfis patéticos, cheios de egos inflados de inverdades se a grande maioria deles, beirando a minha idade, sabe que tivemos essa experiência de não entender muito bem essa questão de brancos e pretos e, pior, das lutas dos negros por igualdade, que vinha de longas datas. Voltando ao tema, sim. Eu cresci em uma família de gente muito branca, de olhos claros, pai médico bastante conceituado, descendente de judeus novos cristãos, foragidos da guerra, e de mãe erudita, neta...

SORRY NOT SORRY

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É muito comum eu escutar, abertamente, assim, na cara dura, que sou uma mulher inteligente. A última pessoa que disse isso foi uma amiga da qual guardo grande estima e admiração, justamente porque eu a considero uma pessoa muito inteligente.  Ela é portuguesa e tem um conhecimento vasto sobre muitos assuntos. É bastante verdadeira e muito franca também. Ela dá aulas de filosofia e de uma outra matéria, acho que antropologia, se não me engano. E trabalha muito.  Tem uma filha que se formou em medicina agora, em 2020. E o melhor, ela fez tudo isso acontecer praticamente sozinha. É uma guerreira dócil e determinada.  No entanto, ela, assim como os outros que me dizem que sou inteligente, erram ao dizer isso. E erram feio.  Sempre penso sobre o que poderia ter feito na vida e que deixei de fazer por sentir inadequação ou qualquer tipo de incapacidade, principalmente a de gerir as coisas ao mesmo tempo ou pelo menos dois ou três elementos, como ser mãe muito n...

AS DUAS SOU EU!

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  Quase sempre inexplicável. Chato e inconveniente, porém doloroso e incompreensível e, que bom, muitas vezes, cheio de luz de magia.  Momentos e elementos que não se alinham, mas que coexistem em mim. Não de graça. O preço é alto. A dimensão dentro em mim habita o mesmo corpo e a mesma mente. Também o mesmo espírito.  Espaço cheio de profundos e vazios, mas também de sonhos e alegrias absurdas. Tudo muito exaltado. Profundo por chegar em outras esferas que sempre me parecem  novas em gosto e tons.  Vazio porque ninguém saberia viver nesse espaço, a não ser que fosse obrigado. Sinto que ele é só para mim, naquele momento, para aquela vivência, onde os anjos não tem asas nem luz, e onde Deus é mau, onde a luz é escura e os sons machucam. E, subitamente, o dia está azul; o céu, azul. Meus olhos, mais azuis. Todos meus vestidos ficam azuis.   Tudo está lindamente azul. A minha casa é azul. E todas as pessoas são azuis. Olho para fora, o verde tam...

REMEDO DE RASPUTIN DÁ MEDO

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Imagem: Internet   Espaço vazio, nunca visto. Nem sentido. Escuridão. Pedras imensas. Geladas. Cansaço. Muito cansaço. E sou levada. Como levada sempre fui. Rodeada por aquilo. Que nem tempo de estranhar tive. Agora o vazio era dentro de mim. Tantos giros... giros e giros. E cada vez mais pálida e entregue. Até me sentir caindo. Quando um repuxo me leva. E, meio ali, meio lá, Veja a sombra do mal, E, tonta, atônita, Vazia. Gelada e pálida. Clamo pelo Bem Maior. Cuidado! Esse mundo, moço, é assim. Ande sempre armado com as armas Da Paz e do Amor! ................................................................................................................   Isso foi uma experiência real, embora surreal,  que eu tive em Moscou, numa viagem que eu fiz com meu irmão, Ary, quatro anos mais velho que eu.  Estava escuro, estávamos cansados e já era bem tarde. Estávamos voltando para o hotel, mas ele quis entrar numa farm...

APRENDI CEDO A NÃO TER ILUSÕES. OBRIGADA, MÃE!

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Mãe, com um dos cinco filhos! Mãe, solteira ainda, mas já namorada  do meu pai. Mãe, comigo no colo Mãe, recém casada Mãe, no zoológico de Berlim Correndo pela casa, tão linda casa! Céu sempre azul, encobrindo o sentimento blue, Sempre vizinha à cozinha, Sentia aromas... Cheiros de cozinha de casa de mãe. Torta de morango, d e maçã e todo tipo de rango. Minha mãe, linda também, em rolinhos de cabelo, Demonstrava beleza e sempre um Engolido sentimento de desespero. No canto do quarto do pai e da mãe, eu a vi, Como sempre a vejo. Na penteadeira, se aprumando, Mais bela ainda, Para o baile que se avizinha. - Mãe, festa deve ser bom! – disse encantada. Ela interrompe sua lisonja e me olha premente. Pensei que ia ganhar uma bronca, do tipo drasticamente, Por estar calçando seus sapatos altos, de bico fino e veludo, Quem sabe!? Mas não. Ela mostra uma face diferente. E responde com ar indiferente: "A festa, minha filha, só é boa aqui, Enquanto e...

SOMOS CORES

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Somos matéria de ruídos, de silêncios. De todos, razão e emoção. Um tanto anarquistas. Na  paradoxal, corretos. Somos sérios, mas bastante pitorescos. Somos mentira e verdade. Somos maus. Somos vítimas. O veneno e o antídoto. A foto e o fotógrafo. Mas também somos cores sem cor, De todos os tons,  E sem nenhum tom! (Foto e letra: Herta Scarascia)

PRA DIZER QUE TENTEI FALAR DAS FLORES

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Eu queria falar sobre o vago perfume e os tons das flores que estão caindo entre o outono e o inverno. Eu queria falar sobre o sorriso dos meus netos. Eu queria falar do amor dos meus filhos. Eu queria falar sobre as infinitas tonalidades de verde-amarelo  do outono-inverno, quando caminho pelo campus da UFV, sem me entristecer sobre o rapto do verde-amarelo da nossa Bandeira. Eu queria falar sobre música. Eu queria acordar no Brasil que conheci durante boa parte dos meus anos. Eu queria falar sobre como eu sinto falta de tocar piano, mesmo que sejam acordes inventados. Eu queria falar da saudade. Eu queria falar do amor! Mas como falar do amor num país que exala ódio? Não só exala, mas também solidifica esse ódio, fazendo com que esse sentimento seja quase um corpo? Não há espaço para a poesia, para a música, para o belo, para o amor. Só existe lugar para o ódio, o sangue, a morte. Como falar de flores, de poesia e de amor num país onde: - 50% das pesso...