O ALVORECER NA CHUVA
Fotografia: Herta Scarascia Aqui de dentro Tudo estava escuro Escuro como as asas da braúna Assisto, pela abertura da enorme porta Que dá para fora do quarto O nascer de mais um dia O estranho cerrado estava afundado em névoa O cinza escuro, em contraste com o verde, Que também era escuro, encontrava mansidão umbrosa! Ouço pingos de chuva, tímidos Anunciando o dia a chegar Seria de água o dia... Fecho os olhos e me calo Ainda há sono Sentimentos adormecidos Mas depois a cena quase Shakespeariana me acorda Olho para a árvore lá fora de novo Já há recortes grosseiros de folhas e grupos de folhagens Os escuros vão se organizando em traços exóticos, E as formas, em diversidades pictóricas, Vão se formando em pinturas Picassianas Sem o cantar dos pássaros, ainda é cedo, Olho o movimento da natureza em silêncio E, em silêncio, pego no sono de novo Acordo e olho novament...