AS DUAS SOU EU!

 







Quase sempre inexplicável. Chato e inconveniente, porém doloroso e incompreensível e, que bom, muitas vezes, cheio de luz de magia. 

Momentos e elementos que não se alinham, mas que coexistem em mim. Não de graça. O preço é alto.

A dimensão dentro em mim habita o mesmo corpo e a mesma mente. Também o mesmo espírito. 

Espaço cheio de profundos e vazios, mas também de sonhos e alegrias absurdas.

Tudo muito exaltado.

Profundo por chegar em outras esferas que sempre me parecem  novas em gosto e tons.  Vazio porque ninguém saberia viver nesse espaço, a não ser que fosse obrigado.

Sinto que ele é só para mim, naquele momento, para aquela vivência, onde os anjos não tem asas nem luz, e onde Deus é mau, onde a luz é escura e os sons machucam.

E, subitamente, o dia está azul; o céu, azul. Meus olhos, mais azuis. Todos meus vestidos ficam azuis.  Tudo está lindamente azul. A minha casa é azul. E todas as pessoas são azuis.

Olho para fora, o verde também está azul. A vida é linda. Deus é meu pai, meu irmão e meu filho. E os anjos fazem festa na minha mente, voando espertinhos pra lá e pra cá. 

E em pleno estado de alegria, me vejo em rodopios, danço por onde ando, procurando sentir a terra, descalça, em risos e cores, sinto que Elton John canta “Your Song” pra mim. Claro que é para mim. E concordo com Nietzsche, sobre música e sentido da vida.

E o sol da tarde vibra, rompendo as paredes da casa. A brisa, o cheiro de mato, o verde e os mares e montanhas estão em sintonia comigo.

A água, minha paixão, limpa, pura, borbulhante... e as pessoas, sem ódio, agora felizes, em uníssono clamor por um país mais lindo e igualitário, tudo isso nasce às pencas, como se estivesse, de fato, acontecendo.

Vivo plenamente um amor ágape. Por todos e por tudo. É como um sopro de essência vital, aquela que, há poucos dias, parecia nunca ter existido, me invadisse até o sangue que foi retirado para o exame. Pronto, a moça vai contaminar o laboratório de euforia, de alegria extrema, e tudo em volta do sangue levado vai ser felicidade. 

Não  há nem sombra para a fadiga extrema que eu sentia alguns poucos dias atrás e para aquele cansaço mórbido demais. Tudo me parecia falta de  significado para a vida. Na verdade, não havia vida.

Eu sempre me esquecia, e me esqueço, que em ambos os casos, tudo é questão de química.  A vontade, o sonho, o querer e até a fé é questão de química. 

E agora a química me faz em abundância!

Como pode isso girar em mim, assim tão rapidamente? Em um mesmo dia, às vezes? Em semanas? Em meses? Não sei. Sei que tenho que segurar os dois lados, caso contrário tudo se perde. Eu me perco. Eu sou as duas.

Não entendo. E é difícil aceitar, embora eu venha convivendo com isso há cerca de 30 anos, ainda é difícil.

Quando eu deixo de existir, emudeço. Absurdamente quieta, sem forças, sobrevivo do não querer, que muito bem formado pela natureza, sábia, não leva a ter que fazer. Visto-me da anulação da vida.

A solidão de dentro precisa da solidão de fora. É uma simbiose bizarra. E até nesses momentos a natureza prova de novo sua sabedoria. E eu me banho nela.

Pobrecita! Tão mofada. Tão encarquilhada. Tão dilacerante. Pobre mulher! Dizem uns. 

Enganadora, falsa, manipuladora. Mulher esperta. Dizem outros.

Fraca, débil, preguiçosa, viciada em medicamentos. Dizem outros ainda.

E vou deixando os "zôtro" pra lá e tentando, nas curvas acentuadas do meu eu, sobreviver aos impactos que tentam derrubar, a cada virada, esse carro que vivo e que também leva outros.

Como obediência ao ciclo definido pela genética, quase sempre acordo no meio da viagem.  

E do mesmo jeito que entrei renasço naquela luz brilhante, deixando estéril o casulo que me acolhia.

Logo de cara, aquela velha luz,  como sinais verdes, como se todos os sinais de trânsito fossem verdes, e me sinto extremamente forte e cheia de energia.

Corro a casa e danço, danço, danço... até incomodar quem não conhece esse tipo de alegria. Porque, na verdade, não é a alegria morna e amarelada dos "normais". Tem algo de ecstasy no ar.  

O fato é que tudo começa beirar a vontade de voar, sem asas, enquanto os pensamentos desabam, se escorrem  down the edges of the mind. 

Lembranças, desejos, sonhos. 

A mente mira o propósito da querença. E sabe saber acontecer.

É o absurdo de um delírio entre a realidade e entre o fazer do não o sim.

É algo alucinadamente perigoso. 

A realidade parece chata, incômoda, dura, rotineira e cansativa. Enfim, tudo o que beira a realidade e os fatos que se inserem nela tornam-se cansativos... e noiosi.

E, então, percebe-se que fui longe demais.

Longe demais...

C’EST LA VIE!


(Texto Herta Scarascia)

Comentários

  1. Herta
    O nome do blog sintetiza essa história-drama de uma energia que surge para extrapolar os limites da mente: Vertigem. Meteoro de emoções que habitam momentos vibrantes e intensos. Observo cada movimento, ouço cada palavra e tento refletir, entender e saber para onde vão os estilhaços e, assim, reconstruir / recompor uma compreensão sem ferir tua essência. Talvez tu seja esse todo superdimensionado. Talvez, não. De qualquer forma, sei que essa explosão / implosão camufla o sofrimento do "c'est la vie". Reflito sobre minha incapacidade emocional e tento achar os caminhos que podem te conduzir a momentos menos dolorosos. E falho, geralmente.

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