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Mostrando postagens com o rótulo poema

SE SINTO FÉ

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Fotografia: Herta Scarascia                                   Se sinto fé sinto Deus.                                    Se sinto Deus sinto Vida.                                    Se sinto Vida sinto Amor.                                    Amor Ágape.                                   Se sinto Amor sinto Paz.                                    Se sinto Paz sinto Deus.                            ...

HOJE OUVI O VENTO!

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  Fotografia de Giovanni Scarascia Hoje ouvi o vento! Que assusta os sentidos da vida maturada E joga a marca sulcada da dor mal curada. Trapos finos de memórias que insistem em bater Nos cantos das paredes sem, contudo, entreter... Como nas areias, fluidas, mansas em seus veios e vias. Mas não.  Ruidoso, intenso e cruel, Como as veias vazias Que andam sempre na contramão da jornada Que a essa altura já é nada. Hoje ouvi o vento. Senti solidão! Hoje o vento derrubou um pouco do resto dos sonhos. Senti solidão! Herta Scarascia,  31/8/2021

FRIA AUSÊNCIA

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Foto: Herta Scarascia Quietude  Fria ausência    Piso confuso    Paredes incoerentes  Frio fora  Queimando esperança     Frio dentro   Quartos e salas   Caótico arrepio  Irrealidade  Folhas em tarde muda Inexistência pugilista Paira sobre pinus E alcança telhados, montanhas, mares, sonhos... (Herta)

O CANTADOR DE POEMAS

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Foto: Herta Scarascia Pinta o rosto Cobre o corpo de letras Em mais uma noite quente  Nordestina e influente Ouço alto a sua  verdade Cantada em tons de liberdade (Herta)

FRIO, PROFANO, PROFÉTICO

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Foto: Herta Scarascia Há pouco cruzei comigo. Estava num beco carnal, secular, mundano. Na esquina, boteco escuro, sujo, molhado. Dentro, algo frio, profano. Havia alguém chorando. E outro, cantando. O terceiro veio a mim com um copo de cachaça e, na contramão de Cervantes, elevou a voz idílica de Quixote e me disse em meio tom, assim, meio profético: "Não se aperreie, 'muié', nem se embeleze com essas 'bobage'. Óia que a vida é amarga. Espera o final da história porque, na verdade, o caminho é muito, muito pior do que a 'estalage'." (Herta)

SOLIDÃO

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Foto: Herta  Solidão que arrasta Que devasta... Mensageira do Mal Ordinária e extraordinária Teu preço é uma barganha No mesmo tom Ou subindo um semitom Verte lágrimas na ciranda da insensatez  Faz doer... Como dói! Faz do grito seco, estanco, Algo mudo... surdo E do querer, um não querer Um não querer de desejar Desejar de não estar De nunca ter estado Te conheço, Solidão... De antigos carnavais. Mascarada! Mascarada! Onde estão seus deuses e demônios? Pois eu digo: entrelaçados Escancarados e enlameados Sobre, abaixo e em volta de você! Sai do peito, dá trégua! Ainda não percebeu Que é a Estúpida de Pandora? Que o diabo te carregue, Solidão Que te arranque com as mãos imundas E te leve pr'além de Samaria Que te leve mais longe... Pra nunca mais voltar Que te amarre nos confins da Terra! (Herta)

VOO IMPERFEITO

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Foto: Herta Imperfeita... Vi-me, então, assim, malfeita. E erro. E depois, erro um pouco mais. Tentativas são como vidro, Melindrosas lâminas de olhar-anidro, Tortuosos caminhos, Abandonados ninhos Pisados a pés nus, Frouxos caniços e voos de urubus. Nas aventuras, desventuras. No perdão, uma via contramão. ... e a dor é sempre voo de incompreensão. (Herta)

EM BUSCA DA LUZ

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Foto: Herta Scarascia Estamos todos na mesma nau Na tempestade, na bonança, nos sonhos e desvarios Não sabemos nada de nós, de vós, de todos E, assim, errantes, voamos claudicantes Meio cegos, olhos enormes buscando direções Como insetos em busca da luz  (Herta)

NÔMADE DESCASO

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Foto: Herta Ausência.   Aparência. Anestésica visão em pulsão...  ____ Negação?  A força da arte sobre a vida...  ____ Frágil, etérea? O certo é sempre o ocaso.  ____ Ou o devir? Descanse, Nômade Descaso! Quem sabe neste caldo há vida no porvir? Será sempre assim coisas que se fundem, que cercam, que rodeiam? Banais? Triviais? Prosaicas assim?  - E temporárias também?   (Herta)  

MENINA

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 Foto: Herta Passei correndo, menina, E vi você, Sentada, sozinha, Esperando não sei quê. Desfocada ficou, Como desfocada é minha visão Da sua vida, da minha vida, da nossa vida. Um pouco de mim está com você, ali, sentada, sozinha; E muito de você está em mim, aqui, sentada, sozinha. (Herta)

CENTELHA DE FINITUDE

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Foto: Herta Existem momentos, lugares, ares... Um tipo tal de centelha   Que faz sorrir almas singulares Que dá liga entre doce de leite e melancia  Pra dizer "oi" às formigas com saúde  E calma e ternamente entregar-se à finitude.  (Herta)

SOMBRAS RASANTES

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Sinto algum tipo de sombra Mas talvez não seja sombra Sinto o vento cortar minh'alma  De algum verão perdido no tempo Como o ar que não chega ao peito Ou o peito que não se inclina à luz Luz de festa quando a alma voa São tombos de esperanças vãs Voos rasantes onde as perdas são penas Penas de aves, de flores, de cores De aflição de mente que mente São sombras que dançam na noite E é certo que trouxeram perdas  Pois busco, busco...  e não sinto mais aquele ar no meu peito! (Herta, 08/06/2017)

DESAMPARO

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Foto: web Hoje acordei meio bege Senti algo vago, herege Quase intocável Pois se se toca, se esvai Tão vago e devoluto Que pensei ser dissoluto Lembranças de dias claros Frios, perdidos e raros Mas quase sempre Em desamparo (Herta)

MARIA HERESIA

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(Foto e arte: Herta) Muito chão...                   mas...                             Maria é sem chão                                      ... sem lugar                                            ... sem vagar                                                                           ... sem poesia Maria é sem amor, sem ilusão                                       ...

MENINO-JESUS DE RUA

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Fotos: Herta Scarascia Menino de rua Picolé de água suja Arrasta o percalço E carrega a lambuja Rimas tolas fazem rir Impulsionam a querer partir Olho de novo os olhos Que se cruzam Me assusto Susto de quem viu Jesus Logo ali, fora da Cruz De quem viu Jesus na rua De quem viu Jesus-dormindo De quem viu Jesus-menino O menino-Jesus de rua!  (Herta)

NAS TERRAS NUAS DAS MINAS

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Fotos: Herta Scarascia Em direção ao sol Comendo e bebendo poeira Na dança frenética das curvas das Minas Sinto o cheiro do pó d'alma roceira Em dias vermelhos, assim, cor de chama que chama Ouço a saudade que, assim como o sol, Sempre vai... e volta... e vai... (Herta)

ARAME FARPADO

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Foto: Herta Scarascia  Cercada de arames... Farpas sem proteção, mas objeção. Se a fuga é  Ato corajoso, O resultado, em si,  É angustioso. Seiva brotada Em carne e vísceras. Em contrapartida, Esse mal resolvido,  Vida imprudente, Verte sangue de cor decadente, Algo assim, ______ A deter-gente. (Herta)

PALAVRAS

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Palavras.  Apenas. Palavras escritas não têm  flex ã o. Podem ser elo de liga çã o, de desliga çã o. Um poema. Tolo, livre, perdido, profundo.  E até mesmo um haicai .   Podem, livremente, ir e vir.  Palavras. Inócuas, profundas, marcantes, tocantes. Azuis, amarelas, quadradas, enquadradas.   C astelos, de areia ou de mármore – de Carrara ou de qualquer barraco . Discorrem pontes ao infinito.  Tornando o piso escorregadio.   Transformam pedras onde havia areia. Tampam a luz que jazia insone sobre o travesseiro.   Perdem-se no eterno inconsciente,  Alagando a pista da vida cansada. Palavras, palavras... vomitadas ao léu, como estas, que saem quente feito um fogaréu.  Ou frias, sem sentido, como picolé de chuchu.  No princípio, dizem, era o Verbo... e o que fizemos com o Verbo?   Ah, sim! Estamos conjugando. Eu, tu, ele, nós, vó...

DOCE ANGEL

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Foto: Herta Scarascia  (show de tango em Buenos Aires) Da boca nua, crua Verdades não ditas Aromas indescritíveis Que só existem na Calle Florida O morno da tarde factual, fatal Dá lugar às utopias que moram dentro de cada um Para todos os tons, matizes Do profundo Vermelho Carmesim   Ao doce Angel Provando o sabor do Brave, da Diva e do Fanfare... Flutuando na loucura do Morange Para desmaiar no Impassione! Sutis, imperceptíveis Ardem, queimam, adoçam, salgam, E contaminam. Dançam! Como loucas meninas de um cabaré Que um dia, iluminado com neon fúcsia,  aconchegavam os desejos proibidos dos  homens velhos, mau amados,  De cigarro, charuto e mentes Igualmente contaminadas Por desejos insanos  Das mulheres, que de vida não tem nada,  Arrancam um sorriso ou outro,  Entre fumaça, música, sonhos, Mas também quimera e fantasia, a despeito de qualquer conto e tanto. E tang...