SOBRE O TEMPO E ESSAS COISAS
Foto: Giovanni Scarascia (Uruçuca, BA) O vento, sempre o vento A desfazer o que nunca era feito Nada arrumado, penteado, preso. Com alma desnuda, ela tentou, com dentes de tartaruga, Algo que pudesse prender o que queria se soltar. Sem medo, susto e com gosto de jabuticaba, Engravidou-se de mar, alívio e tentação. Nas areias macias Encontrava-se meio desconhecida Tentando encaixar duas em uma. Não. A gente não é mais o que era E não será o que será . O vento faz movimento nas areias, nos cabelos e nos desejos. Se move em sol e em si bemol. Mas se move principalmente em dó. Dó maior. No piano, na guitarra, na flauta e no doce barulho das ondas. Vai transformando em música o seu zumbido feroz. (Herta Scarascia, 2013)