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GAIOLA

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Fechei os olhos para o mundo Agora já não quero saber Saber, ver, ouvir, compreender, comprar, fazer, trabalhar, suar, vencer ou perder Quem disse que tempo é dinheiro? Coisas de mercenários calvinistas Me sobra esse falar, escondido em letras de computador Minha letra, ah, tão linda, anda errante por conta  Desse metal branco prateado Não, não me drogo. Me drogam. Lítio... Me deram lítio. Eu bebo e como lítio e outros tipos afins. Vivo numa gaiola De ouro, de prata e de bronze. Belo campeonato! Muitas vezes, vejo ferrugem. Então, pode ser que seja de lata mesmo. Mas é uma gaiola cara, viciante e obcecada. Sou, como dizer, uma passarinha errante Que já não sabe o que fazer se puder voar. Pois já cansada, abatida, viciada e inútil. Não sei o que é ser livre. Fui livre. Era bom. Era caro também. Ser livre tem alto preço.  Acaba que não se é mais livre  Ser presa ou ser livre Fui livre, de verdade, enquanto sonha...

SAZONAL

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Foto Herta Scarascia  Assim me revelo; Tons escuros, lamentosos, quase insuperáveis cerram pulsos em sangue-madeira; Em manifesto diagonal, a beleza da musicalidade acalma minha própria e implacável incompreensão. Voo livre _ sem asas _ na aurora primaveril... À noite, me acorrento e me açoito com fitas de cetim e mordaças de couro. Sazonal... Luz de outono é bem-vinda à sala da minh’alma;   Árvores e galhos são espectros dos movimentos que não faço. Enfim, de um holograma em calafrios. Primaveril eu saio em flores Frida-Mulheril!  Sabores vivos com cores de frutas vermelhas e gosto gelado do cappuccino que beira o abismo da liberdade.   Nell’estate? Ma... Nell’estate tutto è caldo! Brilho intenso. Cego! Em tudo insisto e em nada persisto.  Existo. Afinal, é tudo apenas uma questão de desavença sazonal... (Herta Scarascia)