Foto: Herta Scarascia Há 36 anos, uma menina quase moça - ou moça quase menina - queria ser mãe. Mas como? Era apenas uma menina quase moça! Então, ela amarrava um travesseiro bem firme na barriga e usava um vestido de flanela verde claro e largo por cima. E ficava se vendo de lado, no espelho da sala da república onde morava, na Travessa da Saudade – ah, que saudade! -, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Uma vez era maio, Dia das Mães, e ela, que não era mãe, ganhou um namorado. E juntos viveram de rock’n’roll e rock prog. Numa bela tarde, no final de novembro, ela descobre que seu desejo maior, o bebê, estava a caminho. E lindo, lindo, chegou colorindo a vida dela. Eram sempre duas bolas azuis a olhar para tudo e para todos. A olhar para o mundo. Duas bolas azuis como a lua, se a lua fosse azul. Às vezes, a lua era azul! E o bebê foi crescendo, crescendo e, quando menino, já aprendera a ler entre quatro e cinco anos. Tão precoce a...