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Mostrando postagens de junho, 2017

A ANGÚSTIA E O VAZIO

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Arte e foto: Herta Scarascia Acordo. E quase sempre quando acordo, embora eu tenha tantos amores, motivos-amores, motivos-vida, cheiros, aromas, cores e uma vista que me remete aos meus seis anos de idade, quando eu morava na Vila Gianetti, porém em outro ângulo, mantendo o mesmo  morro, o mesmo céu, os mesmos cantos de pássaros, os mesmos flamboaiãs  (e quase posso sentir o mesmo cheiro da tortas das doninhas que competiam subliminarmente o dom da cozinha, menos minha mãe, que sempre estava trancada no mundo dela com uma dúzia ou mais de livros, tão inacessível quanto o Everest é pra mim), eu sinto angústia.  Sim, eu sinto angústia. Meu peito dói. E sinto que não quero viver. Corre-me na espinha o sentimento de que somos extremamente vagos, efêmeros e quase dispensáveis.  Pra que viver? Sempre procuro essa resposta. Porque, no fundo, o que sinto é um vazio. Um sentimento estranho que não se sabe localizar, não se sabe achar, não se sabe expli...

BENTO

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Sem mais delongas, isso se chama AMOR. Se com ou sem açúcar, não sei. Sei que se chama AMOR.   E, de novo, aquele velho sentimento de que nada vale a pena, só o amor.  E de novo, aquele velho sentimento de que o amor é sim, um céu, um céu cheio de sol, de lua, de estrelas, mas as pontinhas das estrelas dão pequenas cutucadas e fazem doer... e dói, dói, dói!  Amar dói! Meu pequeno lindo Bento, meu primeiro lindo neto, o que mais pode sair de mim além de um coração cheio de amor? Peço, contudo, aos anjos  de luz, que te guardem em todos os caminhos, que te livrem de todo o mal e que te encham a vida com o que realmente vale a pena ser vivido.   Assim seja, meu bebê, meu amor!   (vovó Herta)

ÓPIO

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           ◘        ◘       ◘         ◘       ◘        ◘       ◘        ◘      ◘        ◘       ◘         ◘       ◘        ◘          na perda  da essência do  sentido a  papoula  abriga  o desmedido o ópio alivia o exaurido e ambos  hospedam o vencido (Herta)                                                                                                     ...

MÃE

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Foto da minha mãe, Yvonne (arquivo pessoal) Mãe? Mãe? Mãe...........?  Tudo bem? ............ Tudo bem, mãe! Eu só vim pra dizer que te perdoo Por tudo e por nada Sabe? Mãe é assim mesmo Tem sempre culpa de tudo e de nada  E invariavelmente desfruta de um pouquinho de lucidez e de loucura E daquele velho olhar - perdido - de quem já não sabe mais quem é De quem já foi princesa e agora é plebeia Sabe, mãe, às vezes sinto seu perfume Sabe, mãe,  seu vestido de casa, tão lindo, surrado e florido?   Tá lá,  encostado na memória de quem teme viver sem você Com as cores de sempre, em novas, mortiças e desvanecidas primaveras E aquele seu jeito cheio de classe, de saber dizer sem dizer?    Bem, este cheira a mofo num canto qualquer de um abismo chamado amor Eu te perdoo, mãe! Por não me olhar um pouco mais Por não me compreender um pouco mais Por não ter ficado comigo um pouco mais... Me perdoe,...

PEQUENA ODE A MACHADO DE ASSIS

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Ah, Machado! Machado de Assis! Joaquim Maria Machado de Assis   (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro,  29 de setembro  de  1908 ) Em atraso de um dia, segue minha pequena homenagem a esse enorme, na verdade, gigantesco escritor, ensaísta, pensador, filósofo... bem, a lista é enorme.  Enorme e digna, principalmente em se tratando de um escritor autodidata.  Antes de falar de Machado, eu queria contar um pouquinho de como eu "conheci" Machado de Assis.  Eu fazia curso de Letras na UFV e eu estava na casa dos 30 anos (menos). Era jovem, embora casada e mãe de dois filhos (meninos). Eu participava de uma das aulas de literatura. A professora, faço questão de citar o nome, Therezinha Mucci, preparou a turma para um desafio.  Ela iria passar o nome e o livro de um escritor brasileiro para cada aluno.  A turma era pequena, aulas noturnas, gente cansada que trabalhava de dia, como eu.  Ela dividiu...