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Mostrando postagens com o rótulo existencialismo

QUESTÃO DE FÉ

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Almas famintas Diáfanas Comendo incertezas  Palavras perdidas Fagulhas dispersas De vidas inversas Espectros ganhando vida Em algum lugar onde não existe razão Nas falhas de comunicação Olho a imagem e não sinto nada Talvez seja a cultura ou mesmo a fé Mas nesse vão retorno resignada Ao que sempre acreditei ser meu forte Minha salvação, existência E minha significação! (Fotos e letras Herta Scarascia)

DIVÃGANDO

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Quanto mais você bate, mais ele arreganha os dentes.  E entica pra apanhar mais.  Isso magnetiza e atrai outros pensamentos, ainda mais perturbadores.  E até então escondidos.  Se era um nome, vem um sobrenome.  Se era um rosto, surge uma textura de pele, um cheiro, um jeito de olhar. Se era fantasia, os fatos se mostram.  Se era sonho, o horror se escancara.  Pensamentos quase proustianos: quimera perdida.  Humanos tolos, sonhando com a velha vestimenta, que parecia tão confortável, mesmo custando a dor e o fétido  do bolor.  Essa atração pela velha matriz chega a ser repugnantemente confortável. Pobres humanos!  Perdidos em barcas malogradas nas calmarias nauseantes da vida.  Fotos e letras: Herta Scarascia

UM COLO! UM COLO!

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- Lá fora tem sol? - Não. Hoje chove.  - E já vem chovendo há algum tempo, Herta! Foto Herta Scarascia Sozinha. Não propriamente, mas totalmente. Dores que seguem linhas desconhecidas. Desconexas.  Cada dia invadem mais. Mas não há medo. Só cansaço. Leve brisa que desopila a mente vã. Ventilador ligado no teto. Coração solto, perdido como nunca. "How can you mend a broken heart"? A sensação de dor da perda. Sem a perda. Não reconheço mais nada. Tá tudo em sombra.  Penumbra de enfado. O tempo acabou. E estou sem saída. Já me perdi de mim. A vida consome. Queima. Não há beleza onde não há ternura. Desorientação. Cansaço! Tudo vivido já foi vivido. Exaustivamente... Nada é mais visível ou palpável. Perco-me toda. Fraca, inerte, sem lugar. Um colo! Um colo! Não há pertencimento. Meu eu-mulher é sopro, holograma do que fui um dia. Meu eu-espírito é entregue, para fazer p...

HORIZONTE INATINGÍVEL

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Foto: Herta Scarascia Nessa estranha e bizarra estrada Cada passo que passo Me calo, me vaio, me esvaio Me risco e arrisco Sobre chão seco _______ calos Sobre molhados ______ desvarios temporões Não há, amigos, um sentido exato Não há nenhuma razão Que não seja respirar E que bom se você respira, caro amigo, o ar limpo que não carrega alga suja, atrelada ao fundo das galés; Ajoelhe-se sobre seu manto de dores e seja grato se seu ar habita o mar profundo, o azul, profundo azul do mar... Atado, preso, unido apenas a um ___________                                                   horizonte inatingível! ( Herta Scarascia, outubro 2017)

A ANGÚSTIA E O VAZIO

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Arte e foto: Herta Scarascia Acordo. E quase sempre quando acordo, embora eu tenha tantos amores, motivos-amores, motivos-vida, cheiros, aromas, cores e uma vista que me remete aos meus seis anos de idade, quando eu morava na Vila Gianetti, porém em outro ângulo, mantendo o mesmo  morro, o mesmo céu, os mesmos cantos de pássaros, os mesmos flamboaiãs  (e quase posso sentir o mesmo cheiro da tortas das doninhas que competiam subliminarmente o dom da cozinha, menos minha mãe, que sempre estava trancada no mundo dela com uma dúzia ou mais de livros, tão inacessível quanto o Everest é pra mim), eu sinto angústia.  Sim, eu sinto angústia. Meu peito dói. E sinto que não quero viver. Corre-me na espinha o sentimento de que somos extremamente vagos, efêmeros e quase dispensáveis.  Pra que viver? Sempre procuro essa resposta. Porque, no fundo, o que sinto é um vazio. Um sentimento estranho que não se sabe localizar, não se sabe achar, não se sabe expli...

O QUE NÃO SOU

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Não busco ajuda. Não quero atenção. Tudo que faço, aos olhos de outros, é falso,  forçado e cansativo Quero, sim, o silêncio Quero me abster de gentes Quero me afastar, feito gata sem cio, da corrente que me prende e me arrasta Quero, sim, me afogar Em suaves doses letais Mordidas doces... hidratos de carbono Quero a distância mais prudente possível Tanto do bem, quanto do mal Quero ficar, quero ir E, silenciosamente, Quero ser o que não sou (Foto e letras: Herta)

GAIOLA

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Fechei os olhos para o mundo Agora já não quero saber Saber, ver, ouvir, compreender, comprar, fazer, trabalhar, suar, vencer ou perder Quem disse que tempo é dinheiro? Coisas de mercenários calvinistas Me sobra esse falar, escondido em letras de computador Minha letra, ah, tão linda, anda errante por conta  Desse metal branco prateado Não, não me drogo. Me drogam. Lítio... Me deram lítio. Eu bebo e como lítio e outros tipos afins. Vivo numa gaiola De ouro, de prata e de bronze. Belo campeonato! Muitas vezes, vejo ferrugem. Então, pode ser que seja de lata mesmo. Mas é uma gaiola cara, viciante e obcecada. Sou, como dizer, uma passarinha errante Que já não sabe o que fazer se puder voar. Pois já cansada, abatida, viciada e inútil. Não sei o que é ser livre. Fui livre. Era bom. Era caro também. Ser livre tem alto preço.  Acaba que não se é mais livre  Ser presa ou ser livre Fui livre, de verdade, enquanto sonha...

NÃO QUERER

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Não quero estar aqui_________                                                                 nem ali. Não quero estar lá___________                                                                      nem acolá. Na verdade, não quero estar. Mais do que isso. Não quer ser. Mais um pouco. Não quero. Me pergunto: por que tantos “nãos quereres”? Não quero mais quereres e não quereres. Quero, agora sim, me desfazer do querer “não querer”. Acho, finalmente, que não quero é querer o não querer saber que quero não querer. Nem ser.  Laing explica! (Herta)             ...