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HOJE OUVI O VENTO!

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  Fotografia de Giovanni Scarascia Hoje ouvi o vento! Que assusta os sentidos da vida maturada E joga a marca sulcada da dor mal curada. Trapos finos de memórias que insistem em bater Nos cantos das paredes sem, contudo, entreter... Como nas areias, fluidas, mansas em seus veios e vias. Mas não.  Ruidoso, intenso e cruel, Como as veias vazias Que andam sempre na contramão da jornada Que a essa altura já é nada. Hoje ouvi o vento. Senti solidão! Hoje o vento derrubou um pouco do resto dos sonhos. Senti solidão! Herta Scarascia,  31/8/2021

MENINA MENINA-MOÇA

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Menina, menina-moça... Cor-de-rosa-rosa Menina-crescendo Ainda mal encorpada! Não se apresse em nada. Apenas viva, assim, De um jeito não comum, E tão comum! Com a coragem de quem atravessa ruas e avenidas  Sem enxergar muito bem. E se houver algum afinal, enfrente,  Afinal, p ode se achar mais bonitinha Num lápis-lazúli Ou até mesmo na rebeldia De um lápis de cor inteirinho.  Eu também já fui menina, menina-moça, Rebelde como tantas Só que eu tinha causa. E como a maioria de nós, cercada de sonhos. Queria ser feliz. E rir, rir muito. Rir de tudo e de nada. Viva, menina-moça, que esta fase É vestida de quimeras e ilusões. Um dia, vai olhar pra trás E ver que o tempo apagou tudo Como vento na areia. Que num rompante os sonhos saíram voando. E não voltaram. Nunca mais. (Fotos e letras: Herta Scarascia)

SOBRE O TEMPO E ESSAS COISAS

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Foto: Giovanni Scarascia (Uruçuca, BA) O vento, sempre o vento A desfazer o que nunca era feito Nada arrumado, penteado, preso. Com alma desnuda, ela tentou, com dentes de tartaruga,   Algo que pudesse prender o que queria se soltar. Sem medo, susto e com gosto de jabuticaba, Engravidou-se de mar, alívio e tentação. Nas areias macias Encontrava-se meio desconhecida Tentando encaixar duas em uma. Não. A gente não é mais o que era   E não será o que será . O vento faz movimento nas areias, nos cabelos e nos desejos.  Se move em sol e em si bemol. Mas se move principalmente em dó.  Dó maior.   No piano, na guitarra, na flauta e no doce barulho das ondas.   Vai transformando em música o seu zumbido feroz.  (Herta Scarascia, 2013)