APRENDI CEDO A NÃO TER ILUSÕES. OBRIGADA, MÃE!
Correndo pela casa, tão linda casa!
Céu sempre azul, encobrindo o sentimento blue,
Sempre vizinha à cozinha,
Sentia aromas...
Cheiros de cozinha de casa de mãe.
Torta de morango, de maçã e todo tipo de rango.
Minha mãe, linda também, em rolinhos de cabelo,
Demonstrava beleza e sempre um
Engolido sentimento de desespero.
No canto do quarto do pai e da mãe, eu a vi,
Como sempre a vejo.
Na penteadeira, se aprumando,
Mais bela ainda,
Para o baile que se avizinha.
- Mãe, festa deve ser bom! – disse encantada.
Ela interrompe sua lisonja e me olha premente.
Pensei que ia ganhar uma bronca, do tipo drasticamente,
Por estar calçando seus sapatos altos, de bico fino e veludo,
Quem sabe!?
Mas não. Ela mostra uma face diferente.
E responde com ar indiferente:
"A festa, minha filha, só é boa aqui,
Enquanto estamos no frenesi."
Visto que não entendi, continuou:
"Festas são só expectativas.
São boas somente enquanto estamos nos sentindo divas.
A realidade é sempre muito diferente da nossa ansiedade."
E, assim, um pouco triste, desci desaprumada
Do salto alto da festa derramada.
Como corre uma menina de 12 anos,
Assim corri para o meu quarto,
Onde Galeno (meu cachorro amado),
Um vira-lata puro-amor,
Esperava por mim, com a língua de fora,
Querendo colo, carinho e, se possível, um pedacinho
De qualquer coisa daqueles aromas da
Cozinha da casa dos meus pais!
Herta Scarascia
Pai e Mãe, The Age of Innocence!
Nos meus 12, 13 aninhos, com meu eterno macacão Lee,
na Vila Gianetti, onde todos morávamos











Lindo resgate da memória afetiva de uma adolescente sensível. Apesar do olhar triste, a arte que não te abandona, ajuda a consolidar as boas lembranças (e, quem sabe, até a expulsar alguns demônios).
ResponderExcluirLinda poesia em forma de história!