SORRY NOT SORRY



É muito comum eu escutar, abertamente, assim, na cara dura, que sou uma mulher inteligente.

A última pessoa que disse isso foi uma amiga da qual guardo grande estima e admiração, justamente porque eu a considero uma pessoa muito inteligente. 

Ela é portuguesa e tem um conhecimento vasto sobre muitos assuntos. É bastante verdadeira e muito franca também. Ela dá aulas de filosofia e de uma outra matéria, acho que antropologia, se não me engano. E trabalha muito. 

Tem uma filha que se formou em medicina agora, em 2020.

E o melhor, ela fez tudo isso acontecer praticamente sozinha. É uma guerreira dócil e determinada. 

No entanto, ela, assim como os outros que me dizem que sou inteligente, erram ao dizer isso.

E erram feio. 

Sempre penso sobre o que poderia ter feito na vida e que deixei de fazer por sentir inadequação ou qualquer tipo de incapacidade, principalmente a de gerir as coisas ao mesmo tempo ou pelo menos dois ou três elementos, como ser mãe muito nova, trabalhar  muito cedo, ser filha, driblar as dificuldades o tempo  todo, com a sombra do   Mito do Eterno Retorno me acompanhando como companheiro mal vindo.

E talvez seja bem certo que foi justamente de burrice que eu troquei as pernas.

 

Eu preciso falar sobre isso.

Eu tenho muito, repito, muito orgulho com relação à seriedade e ao empenho dos meus filhos e noras com relação à proteção do meio ambiente.

Quase todos trabalham com o resgate, a regeneração, a salvação, a preservação do meio ambiente, de maneira íntegra e altamente devotada. 

São cientistas que fazem da profissão o que eu, com tudo contra, tentei fazer da minha.

De certa forma, me sinto realizada neles.

Mas me pergunto muitas vezes por que, mesmo com tantas ondas batendo de frente, eu não tentei mais. E sempre me vem à mente o que citei acima: o Mito do Eterno Retorno.

Poderia trabalhar com sociologia, tentando encontrar uma maneira rápida, eficaz e definitiva para acabar com essa vergonha de desigualdade social no Brasil. Poderia desenvolver um projeto mirabolante de energia eólica móvel para o planeta.

Repito, inteligente é quem faz!

Eu não. E digo por quê. 

 

Sou esquisita. Mudo de humor.

E sou brava, no sentido tupi-guarani da palavra. 

Desajeitada com miudezas que se quebram. E sou sempre atrasada. Como dizia meu sogro, lá na Itália: “Herta, sei sempre retardataria!”, e ria. 

Na cozinha, sou uma anulação. Mas... tipo de coisa que não faço questão. 

Crio drama demais... dramas reais!

Fiquei doente de uma montanha de coisas de fundo psicossomático (excesso de auto proteção).

Sou muito preguiçosa e não gosto de gente. 

Também não gosto de barulho, nem de muita luz.

Sou intolerante a erros de português, embora eu mesma cometa um tanto bom, e constantemente.

Sou impaciente, mas prefiro que outro resolva o que me causa a tal impaciência. Não entanto, não tolero postergar. Trabalho naquilo, mesmo que me custe a última gota de energia, mas vou até finalizar. Tenho hiperacusia... e fotofobia. 

Barulhos finos entram numa sintonia insuportável com o "tinnitus" do ouvido esquerdo. E quanto mais claro, mais a luz queima as córneas.  

Já me disseram que sou hipocondríaca, mas acho que estão errados. Até hoje, ninguém me disse que eu poderia jogar fora os medicamentos. Só alguns, que me propuseram cachoeira e maconha no lugar.

Não gosto de festa. Aliás, odeio fotografias de festas e restaurantes. Essas coisas sociais.

Não fumo, não bebo. Não mais, e há muitos anos.

E me incomoda não dormir cedo.

Costumo me alienar do momento quando o assunto não me interessa. Sempre me pego cochilando na frente da pessoa, quando não fico observando os trejeitos e o excesso de blush ou da boca falando com a língua passando nos lábios de tempo em tempo.

Quase não tenho amigos para conversar sobre coisas que gosto: a teimosia de Freud em várias ocasiões, a neurose das selfies, a solidão dos perdidos da internet,  a resposta de Jung a Jó, o fato de que ninguém quer ver que Machado não escreveu sobre Capitu, mas sobre ele mesmo. Afinal, Bentinho era ele e sua homossexualidade guardadíssima..., mas também gosto de falar sobre corte de cabelo, moda e coisa e tal. 

Aceito falar horas sobre coisas de Deus e de disco voador. E sobre casos que se vivem neste planeta absurdo.

Não gosto de falar sobre os outros.

Dá preguiiiiiça! Do tipo macunaímica.

As parcas amigas que considero ter são meninas boas. E bondade é júbilo. E a essa supremacia, coroa e cetro.

Sou intolerante ao calor em excesso, a não ser que eu possa me refrescar na água azul, limpa e morna das praias nordestinas e, ao voltar, sentir o croc-croc do peixinho frito e o frescor da água gasosa gelada com limão ou da água de côco fresca e gelada.

O verão não tem o céu mais bonito do ano, mas promove os sonhos mais divertidos. Ah, não suporto essa nova moda ultra esquerdista, onde tudo tem que caber dentro de um "politicamente correto" insuportavelmente irreal. 

E não sou feminista. Não como o feminismo está se mostrando hoje, agressivo, excludente. Gosto do feminismo de Simone de Beauvoir. 

Como pode ver, além de tudo, quando estou "hipomaníaca", falo e escrevo pelos cotovelos, até encher o saco. 

De mim!

 

Herta Scarascia

 


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