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AO MEU FILHO, PIETRO!

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Foto: Herta Scarascia Nasceu assim, tão diferente e tão igual!  Longilíneo, magro e esperto. Desde pequeno, um forasteiro meio aventureiro. Bravo! Contratado, como um mercenário dos anjos, para dar sustos à mãe que, Aturdida, sempre à espreita, medrosa e espavorida, Pedia a Deus proteção em dose cavalar... E, claro, o pedido se estendia para um pouco mais de paz.  Nasceu para as matas, montes e paisagens para além das minhas vistas. Nasceu para as ondas bravias, para os animais selvagens (e alguns dóceis),  Para as escaladas mais altas, Abrindo trilhas onde só existia o nada... Sonhando sonhos que temo saber!  Meu caçula principesco, aprendi a aceitar suas lutas Contra o que você considera errado, trapo, feio e grotesco: A agressão contra o meio ambiente e contra os animais.  Um tipo justiceiro errante. Eu vou te amar sempre... sempre admirando seu jeito único, Mas semp...

PARA MEU PRIMOGÊNITO, LUCAS

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Foto: Herta Scarascia Há 36 anos, uma menina quase moça - ou moça quase menina - queria ser mãe. Mas como? Era apenas uma menina quase moça!  Então, ela amarrava um travesseiro bem firme  na barriga e usava um vestido de flanela verde claro e largo por cima.  E ficava se vendo de lado, no espelho da sala da república onde morava, na Travessa da Saudade – ah, que saudade! -, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Uma vez era maio, Dia das Mães,  e ela, que não era mãe, ganhou um namorado. E juntos viveram de rock’n’roll e rock prog.  Numa bela tarde, no final de novembro, ela descobre que seu desejo maior, o bebê, estava a caminho. E lindo, lindo, chegou colorindo a vida dela. Eram sempre duas bolas azuis a olhar para tudo e para todos. A olhar para o mundo.  Duas bolas azuis como a lua, se a lua fosse azul. Às vezes, a lua era azul! E o bebê foi crescendo, crescendo e, quando menino, já aprendera a ler entre quatro e cinco anos. Tão precoce a...