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ROMPIMENTO

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Foto: Herta Scarascia Rompendo cadeias Lapsos de tempo... Morta num espaço ... Perdida na angústia do não saber  Um pouco menos do que sou Um pássaro sem asas Enfim, quebradas... Eu – bandoleira de mim... Eu – anarquista de mim... De alguém que não construí Armada em aço com gosto de fel Rompendo cadeias Grades, portais... E, ao sair, não saber a diferença Cinza, galhos e miséria Loucura,  insensatez e desejo... Mergulhando nos delírios de Orfeu Confirmando,  na nudez da alma, que de todos os calafrios O meu é mais sentido... E que de todos os sonhos, O meu é o mais real. (Herta)

A ANGÚSTIA E O VAZIO

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Arte e foto: Herta Scarascia Acordo. E quase sempre quando acordo, embora eu tenha tantos amores, motivos-amores, motivos-vida, cheiros, aromas, cores e uma vista que me remete aos meus seis anos de idade, quando eu morava na Vila Gianetti, porém em outro ângulo, mantendo o mesmo  morro, o mesmo céu, os mesmos cantos de pássaros, os mesmos flamboaiãs  (e quase posso sentir o mesmo cheiro da tortas das doninhas que competiam subliminarmente o dom da cozinha, menos minha mãe, que sempre estava trancada no mundo dela com uma dúzia ou mais de livros, tão inacessível quanto o Everest é pra mim), eu sinto angústia.  Sim, eu sinto angústia. Meu peito dói. E sinto que não quero viver. Corre-me na espinha o sentimento de que somos extremamente vagos, efêmeros e quase dispensáveis.  Pra que viver? Sempre procuro essa resposta. Porque, no fundo, o que sinto é um vazio. Um sentimento estranho que não se sabe localizar, não se sabe achar, não se sabe expli...