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Mostrando postagens com o rótulo blog Herta Scarascia

O ALVORECER NA CHUVA

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  Fotografia: Herta Scarascia Aqui de dentro Tudo estava escuro Escuro como as asas da braúna   Assisto, pela abertura da enorme porta Que dá para fora do quarto O nascer de mais um dia   O estranho cerrado estava afundado em névoa O cinza escuro, em contraste com o verde, Que também era escuro, encontrava mansidão umbrosa!   Ouço pingos de chuva, tímidos Anunciando o dia a chegar Seria de água o dia...   Fecho os olhos e me calo Ainda há sono Sentimentos adormecidos   Mas depois a cena quase Shakespeariana me acorda Olho para a árvore lá fora de novo Já há recortes grosseiros de folhas e grupos de folhagens   Os escuros vão se organizando em traços exóticos, E as formas, em diversidades pictóricas, Vão se formando em pinturas Picassianas   Sem o cantar dos pássaros, ainda é cedo, Olho o movimento da natureza em silêncio E, em silêncio, pego no sono de novo   Acordo e olho novament...

POR QUE A ELITE BRASILEIRA ODEIA LULA?

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  Fotografia: Herta Scarascia Referência à "La Bocca della Veritá", que, na verdade, é uma imagem esculpida em mármore pavonazzo de um humanoide. Esta imagem se encontra no pórtico de Santa Maria, em Cosmedin, Roma. Reza a lenda que a escultura tratava-se de uma tampa de um bueiro e retrata o deus romano chamado Oceano, mas a maioria dos italianos acredita que a Bocca represente o antigo deus fluvial do Rio Tibre. Como bueiro, ela também servia de detectora de mentiras. Desde a Idade Média, acredita-se que se alguém colocar a mão dentro da boca da escultura e contar uma mentira, a boca se fecha e arranca a mão da pessoa.  Pra começar, vou tentar encontrar um ponto onde Lula pudesse ter feito algum mal às elites ou aos ricos   ou muito ricos no Brasil. Minha experiência não vem de leituras de livros sobre luta de proletariado, embora eu fosse tomando conhecimento da mesma ao longo da vida, nem da boca de Williams Bonners, nem tampouco  de nenhuma imprensa comprometi...

PULSAR DO MAL

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  Com a sutileza de uma serpente E com a brandura de uma pomba, Perscruto, como profissional,  O pulsar do Mal. Só assim é possível, para mim, transformar O veneno destilado Em remédio e cura. Foto e texto  Herta Scarascia

REMEDO DE RASPUTIN DÁ MEDO

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Imagem: Internet   Espaço vazio, nunca visto. Nem sentido. Escuridão. Pedras imensas. Geladas. Cansaço. Muito cansaço. E sou levada. Como levada sempre fui. Rodeada por aquilo. Que nem tempo de estranhar tive. Agora o vazio era dentro de mim. Tantos giros... giros e giros. E cada vez mais pálida e entregue. Até me sentir caindo. Quando um repuxo me leva. E, meio ali, meio lá, Veja a sombra do mal, E, tonta, atônita, Vazia. Gelada e pálida. Clamo pelo Bem Maior. Cuidado! Esse mundo, moço, é assim. Ande sempre armado com as armas Da Paz e do Amor! ................................................................................................................   Isso foi uma experiência real, embora surreal,  que eu tive em Moscou, numa viagem que eu fiz com meu irmão, Ary, quatro anos mais velho que eu.  Estava escuro, estávamos cansados e já era bem tarde. Estávamos voltando para o hotel, mas ele quis entrar numa farm...

COVID-19 E AS PESSOAS

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Primeiro a negação, depois nossa mente e nossos braços teimam, as pernas se esperneiam e o corpo entra em luta.  Em seguida, indignação e muita raiva, além de uma enorme preocupação.   Por fim, um tipo azedo de aceitação,  mas sem nunca deixar de se preocupar, de ter em mente, um minuto sequer, essa praga, essa doença, esse Mal que chegou e vem ceifando milhares de vidas, além de esperanças, de projetos, de sonhos. O estoicismo, aquele difundido por Sêneca, o mesmo que nele carrega um tipo de nobreza na aceitação dos fatos, tem sido vivenciado de forma quase obrigatória pela maior parte das pessoas neste planeta tão confuso, tão paradoxal, tão limitado, tão sofrido e tão doente!  E ele faz isso, nos põe de pé, a caminhar. Trôpegos, mas à frente. Só que desta vez, um tanto sozinhos se se considerarmos o ser humano um ser altamente sociável.  E eis que surge esse  tipo de "solitude", imperativa e morna, a té chegar o momento, e não vai demora...

COVID-19 E A NOSSA HISTÓRIA

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 (NYC) A vida flui em  tristeza, susto e estranheza. E o céu entra azul pela minha varanda, salvo algumas gotas de chuva. O sol jorra sua força no país do samba e da cachaça. E aquecem  malocas, palafitas, favelas, milhares de janelas que, agora, são meras  masmorras. Apesar da sensação de poder vencer, de acatar os motivos certos para manter a lucidez e encontrar o sentido da direção, muitos de nós sabemos que o final terá que ser recontado, refinado, reafirmado.  Ninguém que está vivo hoje já passou por isso antes. Os livros contam. Alguns recontam. Outros remontam e  romanceiam tão bem, que nos deliciam em  Cem Anos de Solidão e Ensaios Sobre Cegueiras. E aqui somos nós, vós... eles. Perdidos nesse planeta que nunca mais será o mesmo. (NYC) Um vento forte tenta nos mover. Ele nos arrasta como certas frases, palavras, mensagens , grande parte torpe e tola. Nos carregam para um patamar um pouco acima das mo...

PEDRO ME BATEU

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  Retranscrito à máquina de escrever também pela minha mãe, Yvonne  As fotos não condizem com a época em que o poema da minha mãe foi escrito, ou seja, foram tiradas mais tarde. Alguns anos mais tarde. O poema foi escrito em Visconde do Rio Branco. Estas fotos foram tiradas quando a gente já morava em Viçosa, Minas Gerais. Herta falando no ouvido da gente, Herta carinhosa, quase nunca má Só um pouquinho má. Olho azul perguntando, "Hoje vai à aula?" Herta-Leandro Leandro-Herta, Dupla descendo escadas, Dupla na mesa, Dupla no banho. Herta-Leandro dormindo,  Esperando no portão, Quatro bolas azuis esperando entre as grades Leandro-Herta Sem sapatos, Sujos de terra, Saindo do banho brilhando. Menina Herta loura Herta de vestido curto Pernas grossas, Agora ficando longas, Pula o portão, Passa entre as grades, Foge de casa, Volta chorando Baixinho, o choro preso no beicinho, "Pedro me bateu"... Agora as ...