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FRIO, PROFANO, PROFÉTICO

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Foto: Herta Scarascia Há pouco cruzei comigo. Estava num beco carnal, secular, mundano. Na esquina, boteco escuro, sujo, molhado. Dentro, algo frio, profano. Havia alguém chorando. E outro, cantando. O terceiro veio a mim com um copo de cachaça e, na contramão de Cervantes, elevou a voz idílica de Quixote e me disse em meio tom, assim, meio profético: "Não se aperreie, 'muié', nem se embeleze com essas 'bobage'. Óia que a vida é amarga. Espera o final da história porque, na verdade, o caminho é muito, muito pior do que a 'estalage'." (Herta)