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VENTO DE OUTONO

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  Fotografia Herta Scarascia Dobras e tons, curvas e nuances Claros e escuros, luzes e sombras Verdes que giram e dançam Anunciando o vento gelado do outono  Borboletas assanhadas e desinquietas Pululam partes sutis das substâncias E galhos tortuosos, fortes e robustos Desenham sua extravagante autoconfiança Abelhas assassinas difundem Vida Brisa! Vento! Vento solar! E Silêncio... Silêncio sobre um confuso magenta  Que vive entre o amarelo... comovente! Rachaduras que se desdobram em texturas Sobre o manto cálido e abissal das tardes assentadas E, não tão longe, o azul do céu permeia e emoldura O fundamento da  Existência... (Herta Scarascia, maio de 2022)

O ALVORECER NA CHUVA

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  Fotografia: Herta Scarascia Aqui de dentro Tudo estava escuro Escuro como as asas da braúna   Assisto, pela abertura da enorme porta Que dá para fora do quarto O nascer de mais um dia   O estranho cerrado estava afundado em névoa O cinza escuro, em contraste com o verde, Que também era escuro, encontrava mansidão umbrosa!   Ouço pingos de chuva, tímidos Anunciando o dia a chegar Seria de água o dia...   Fecho os olhos e me calo Ainda há sono Sentimentos adormecidos   Mas depois a cena quase Shakespeariana me acorda Olho para a árvore lá fora de novo Já há recortes grosseiros de folhas e grupos de folhagens   Os escuros vão se organizando em traços exóticos, E as formas, em diversidades pictóricas, Vão se formando em pinturas Picassianas   Sem o cantar dos pássaros, ainda é cedo, Olho o movimento da natureza em silêncio E, em silêncio, pego no sono de novo   Acordo e olho novament...

SORRIR NUM PAÍS CAÓTICO

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Meus anjos que fazem rir   Tenho percebido que não rio mais. Rir por rir mesmo, e muito, de gargalhada solta, sorriso fácil, como eu ria antes. Um sorriso autêntico, sem muito pensar. E eu ria muito, de perder o ar.  Agora, o riso deu lugar a um outro tipo de riso, mais calmo, mais tranquilo, mais introspectivo, vivendo numa penumbra de risadas silenciosas em momentos especiais nos quais, em todos os casos, estão os filhos dos meus filhos, meus netos. E também meus filhos. E noras.  Mas os meus netos, ainda tão pequenos, me arrancam sorrisos estranhos, me deixam perplexa!  Que figuras interessantes! De incoerências lógicas, de absurdos justos, de descobertas intrigantes e magnéticas! Eles me fazem rir e gargalhar, numa fabulação sincera e numa calma que só agora percebo a confusão de acordes sonantes e dissonantes dentro da minha mente já borrada de alvoroços de miúdos.  Ainda chega a miúda, ora bebezinha, já com seus alaridos burlescos e harmoniosos. Cheia...