Palavras. Apenas. Palavras escritas não têm flex ã o. Podem ser elo de liga çã o, de desliga çã o. Um poema. Tolo, livre, perdido, profundo. E até mesmo um haicai . Podem, livremente, ir e vir. Palavras. Inócuas, profundas, marcantes, tocantes. Azuis, amarelas, quadradas, enquadradas. C astelos, de areia ou de mármore – de Carrara ou de qualquer barraco . Discorrem pontes ao infinito. Tornando o piso escorregadio. Transformam pedras onde havia areia. Tampam a luz que jazia insone sobre o travesseiro. Perdem-se no eterno inconsciente, Alagando a pista da vida cansada. Palavras, palavras... vomitadas ao léu, como estas, que saem quente feito um fogaréu. Ou frias, sem sentido, como picolé de chuchu. No princípio, dizem, era o Verbo... e o que fizemos com o Verbo? Ah, sim! Estamos conjugando. Eu, tu, ele, nós, vó...