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SÓ UM PACOTE DE BISCOITO

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Olhos negros, grandes, tristes e assustados.  Cabelos despenteados e sem cor definida. Altura? Um metro e dez, por aí. Pele amarronzada. Um tanto frágil e magro demais, talvez sem muita comida.  Ou com pouca comida... Desde que nasceu? Será que houve um nascimento ou é apenas um espectro sofrível, retrato de mais uma cena que insistimos em não ver. Talvez um holograma da nossa própria miséria.  Mas, ó, a imagem falhou! Na minha corrida diária e impensante, com sacolas de “queijos e vinhos”, eu ouço longe, bem ao longe, uma pequena voz como vinda de outro mundo... e veio de outro mundo, uma voz fina, quase apagada, dizendo: - Dona, me dá um pacote de biscoito? Pressa, incômodo, desconforto, confusão e uma leve suspeita de que “o pacote de biscoito de hoje” pode ser a "arma de amanhã” me levam de volta à caverna de Platão, onde as sombras me aliviam com falsas ilusões de uma realidade que não quero ver, nem tampouco aceitar. Eu estava ciente de que ele er...