O ALVORECER NA CHUVA
Aqui de dentro
Tudo estava escuro
Escuro como as asas da braúna
Assisto, pela abertura da enorme porta
Que dá para fora do quarto
O nascer de mais um dia
O estranho cerrado estava afundado em névoa
O cinza escuro, em contraste com o verde,
Que também era escuro, encontrava mansidão umbrosa!
Ouço pingos de chuva, tímidos
Anunciando o dia a chegar
Seria de água o dia...
Fecho os olhos e me calo
Ainda há sono
Sentimentos adormecidos
Mas depois a cena quase Shakespeariana me acorda
Olho para a árvore lá fora de novo
Já há recortes grosseiros de folhas e grupos de folhagens
Os escuros vão se organizando em traços exóticos,
E as formas, em diversidades pictóricas,
Vão se formando em pinturas Picassianas
Olho o movimento da natureza em silêncio
E, em silêncio, pego no sono de novo
Acordo e olho novamente para a
Minha companheira de quarto
Parada, magnânima, dona de si e da natureza
Começa a exibir sua gama de verdes possíveis num dia chuvoso
Com pássaros acanhados, quase sem canto
E tudo molhando a realidade dela e minha
Mesmo que, lá longe, no horizonte desse dia de chuva
Que acaba de nascer
Percebo cores levemente azuis e laranja
Há Esperança!
Excelente fotografia "escrita em forma de poesia". Que relato fiel daquilo que, esta manhã, tive o prazer de conviver um pouco contigo.
ResponderExcluirLindo, Herta!!!
Lindo!
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