PEDRO ME BATEU
Retranscrito à máquina de escrever também pela minha mãe, Yvonne
As fotos não condizem com a época em que o poema da minha mãe foi escrito, ou seja, foram tiradas mais tarde. Alguns anos mais tarde. O poema foi escrito em Visconde do Rio Branco. Estas fotos foram tiradas quando a gente já morava em Viçosa, Minas Gerais.
Herta falando no ouvido da gente,
Herta carinhosa, quase nunca má
Só um pouquinho má.
Olho azul perguntando,
"Hoje vai à aula?"
Herta-Leandro
Leandro-Herta,
Dupla descendo escadas,
Dupla na mesa,
Dupla no banho.
Herta-Leandro dormindo,
Esperando no portão,
Quatro bolas azuis esperando entre as grades
Leandro-Herta
Sem sapatos,
Sujos de terra,
Saindo do banho brilhando.
Menina Herta loura
Herta de vestido curto
Pernas grossas,
Agora ficando longas,
Pula o portão,
Passa entre as grades,
Foge de casa,
Volta chorando
Baixinho, o choro preso no beicinho,
"Pedro me bateu"...
Agora as lágrimas já descem soltas,
O choro pula da boca
"Óh mãe"...
(Escrito pela minha mãe, Yvonne Baptista, quando eu tinha
uns cinco anos e Leandro,
meu irmão dolorosamente saudoso,
uns três aninhos, em Visconde do Rio Branco, MG).


Se eu pegar esse Pedro, bato nele....
ResponderExcluirhahaha... Bate não. A vida cuida de bater em todos nós. :(
ExcluirQue saudades do Leandro, Herta! Finalmente descobro você e este lindo poema retrato aqui. Guardo com muito carinho uma música dele que gostaria de mandar para você.
ResponderExcluirFlávio Dornas
fdornas@hotmail.com
Oi, Flávio! Me desculpe, não estou conseguindo me lembrar de você. Eu conheci um amigo do Leandro, que se chamava Flávio, que era sobrinho da Clara Nunes, que dividia um apartamento com ele em Belo Horizonte, antes dele ir estudar na Escola do Milton Nascimento, no Rio de Janeiro. Seria você? Eu não havia lido os comentários antes por total falta no próprio site. Somente agora eu consegui ler alguns comentários. Vou enviar o email, sim. Obrigada. Grande abraço. :)
ExcluirOi tudo bem? Não nos conhecemos pessoalmente. Lembro bem do Flávio que morou com ele. Eles moraram em um prédio na Rua Araguari ao lado do Viaduto Castelo Branco. Conheci o Leandro quando estudamos no Colégio Champagnat e convivemos desde então. Assitia sempre e ele nos bares da cidade (chalezinho, Queem Mary, Boca de pito, Hotel Othon...) Lembro dele morando em pensões na savassi e no centro de BH. Decorei duas músicas dele que guardo com carinho e canto sempre para não esquecer.
ExcluirQue alegria poder ouvir isso, Flávio! Significa que um pouco do Leandro continua vivo nas pessoas que conviveram com ele por meio da sua arte. Arte tão peculiar, forte, densa, sensível! Sinto muito a falta dele. Coincidentemente hoje, 22 de fevereiro, dia da sua morte, caso estivesse vivo, teria 56 anos de idade. Uma perda lastimável! Muito obrigada pelo seu carinho!!!
ExcluirMuito obrigada pelo seu comentário, tão carinhoso, Flávio! De fato, estou me lembrando desses lugares onde ele morou. E que bom que você canta essas duas músicas dele. Poderia me enviar as letras, por favor? Sinto muito a falta dele. Quando ele morreu, tão jovem, eu tive um sentimento de pobreza muito grande, porque, para mim, ele representava a arte plena e absoluta na minha vida. E perder o irmão e a arte foi, de fato, uma tragédia. Coincidentemente, hoje, 22 fevereiro, é o dia da morte dele. E hoje ele estaria com lindos 56 anos de idade. Que tristeza! Deixo um abraço. Muito obrigada mais uma vez. 🌷🙏
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