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BENTO, 7 MESES DE BÊNÇÃOS!

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Foto tirada pela vovó Herta AMOR, PUREZA, INGENUIDADE, BÊNÇÃO...  ANJO!  De seu rosto tão frágil, a delicadeza e a força de um ser que busca a vida se sobressaem de maneira tenra e doce.  Na doçura e na fragilidade do seu olhar, a intensidade do amor de um ser que mal sabe o que é a vida, mas com a fortaleza de um gigante.  Você é o bem mais precioso que surgiu na minha própria vida, juntamente com meus dois filhos. Você, meu querido neto, é uma  experiência única que eu quero levar comigo pra sempre.  Obrigada pela sua frágil, porém forte, existência!  A vovó Herta te ama mais que tudo que gira em torno do espaço sideral. Mais que tudo o que se move no universo. Mais que o infinito.  Sê abençoado, meu menininho! Que os anjos do Senhor estejam sempre ao seu redor, te protegendo e dando livramento.  Assim seja!  (vovó Herta)

HORIZONTE INATINGÍVEL

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Foto: Herta Scarascia Nessa estranha e bizarra estrada Cada passo que passo Me calo, me vaio, me esvaio Me risco e arrisco Sobre chão seco _______ calos Sobre molhados ______ desvarios temporões Não há, amigos, um sentido exato Não há nenhuma razão Que não seja respirar E que bom se você respira, caro amigo, o ar limpo que não carrega alga suja, atrelada ao fundo das galés; Ajoelhe-se sobre seu manto de dores e seja grato se seu ar habita o mar profundo, o azul, profundo azul do mar... Atado, preso, unido apenas a um ___________                                                   horizonte inatingível! ( Herta Scarascia, outubro 2017)

DECADÊNCIA

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Exposição sobre Picasso, São Paulo, 2017 Iguais às linhas perpendiculares Caíram, como cruéis e hórridas hastas, Nas suas 33 vértebras gastas Quase todas as pedras tumulares! A frialdade dos círculos polares, Em sucessivas atuações nefastas, Penetrara-lhe os próprios neuroplastas, Estragara-lhe os centros medulares! Como quem quebra o objeto mais querido E começa a apanhar piedosamente Todas as microscópicas partículas, Ele hoje vê que, após tudo perdido, Só lhe restam agora o último dente E a armação funerária das clavículas! © AUGUSTO DOS ANJOS,  1912

DOCE MAL

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Com a sutileza de uma serpente E a brandura de uma pomba Perscruto, como uma profissional, O coração do inimigo (o Mal). Só assim é possível transformar o veneno destilado Em vacina, remédio, cura. (Herta Scarascia)

UMA GOTA DE LACAN

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"Jamais você me olha lá de onde te vejo; inversamente, o que olho nunca é o que quero ver."  Jacques Lacan (1973, Seminário XI, p. 95).

PARA MEU PRIMOGÊNITO, LUCAS

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Foto: Herta Scarascia Há 36 anos, uma menina quase moça - ou moça quase menina - queria ser mãe. Mas como? Era apenas uma menina quase moça!  Então, ela amarrava um travesseiro bem firme  na barriga e usava um vestido de flanela verde claro e largo por cima.  E ficava se vendo de lado, no espelho da sala da república onde morava, na Travessa da Saudade – ah, que saudade! -, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Uma vez era maio, Dia das Mães,  e ela, que não era mãe, ganhou um namorado. E juntos viveram de rock’n’roll e rock prog.  Numa bela tarde, no final de novembro, ela descobre que seu desejo maior, o bebê, estava a caminho. E lindo, lindo, chegou colorindo a vida dela. Eram sempre duas bolas azuis a olhar para tudo e para todos. A olhar para o mundo.  Duas bolas azuis como a lua, se a lua fosse azul. Às vezes, a lua era azul! E o bebê foi crescendo, crescendo e, quando menino, já aprendera a ler entre quatro e cinco anos. Tão precoce a...

LIVRE

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Nem diáfana nem ligeira Nem anjo nem forasteira Nem a fantasia rasgada  Não o que sonhei  Nem o que sublimei Carrego uma arqueta Pro caso de uma treta Devaneios de fossa Metade imprecisão Metade colisão Definitivamente... Não uma prisão! (Herta Scarascia)

PARA MEU ANJINHO, BENTO!

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Sem asas, menininho? Beicinho de birrinha? Você nasceu, ora!!! E tem centelha divina n'alma  Anjinho sem asas, Esqueça esse drama,   Voar é opção. Não faça manha, não fique triste, menininho! A vida, olha, a vida... também tem seu lado angelical   Onde os anjinhos   Que acabaram de perder asinhas,   Assim, como você, Conseguem dar-lhe sentido e graça.   (Herta)

ROMPIMENTO

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Foto: Herta Scarascia Rompendo cadeias Lapsos de tempo... Morta num espaço ... Perdida na angústia do não saber  Um pouco menos do que sou Um pássaro sem asas Enfim, quebradas... Eu – bandoleira de mim... Eu – anarquista de mim... De alguém que não construí Armada em aço com gosto de fel Rompendo cadeias Grades, portais... E, ao sair, não saber a diferença Cinza, galhos e miséria Loucura,  insensatez e desejo... Mergulhando nos delírios de Orfeu Confirmando,  na nudez da alma, que de todos os calafrios O meu é mais sentido... E que de todos os sonhos, O meu é o mais real. (Herta)

A MULHER DE MOSCOU

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Foto: Herta Scarascia Esta foto não diz nada a ninguém, mas é extremamente especial para mim.   Foi quando eu, de fato, percebi que estava em solo russo.  Meu irmão e eu estávamos chegando na Rússia, em Moscou, e dentro do trem que ligava o aeroporto à cidade, eu avistava paisagens inesperadas.  Foi quando avistei a mulher do subúrbio. Muita pobreza mesclada a casas de campo enormes, com a visão perdida pelas tundras.  Do outro lado do trem (que chamaríamos metrô), eu já podia perceber a expressão do povo por meio de muita pichação e também da arte do grafite, de gosto estranho, muito diferente do que eu estava acostumada a ver, até mesmo em alguns países da Europa.  E, de repente, do nada surge essa mulher. Seu rosto era aquela mistura bizarra que a gente vê em alguns russos, com forte característica eslava. Mas não consegui fotografar. Passou rápido demais e registrei apenas a silhueta da mulher, não muito jovem, não velha. Apenas uma mulh...

PAISAGENS FRUGAIS

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Foto: Herta Scarascia Nossas estradinhas, tão pequeninas Descalças como uma criança de rua Cheias de pó sabor canela Estradinhas pé no chão nos levam e nos trazem Com a boca, os pés e a alma cheios de sonhos Sonhos de criança que corre em qualquer direção Do finito ao infinito Crendo ser a vida uma ciranda sem fim São nessas paisagens, tão frugais e conhecidas Que me encontro intensamente com a minha mais pura ingenuidade (Herta Scarascia)

ESTÁTICO

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Verde estático... encarcerado em tapume agrilhoado. Sentido idiossincrático... e quase sempre equivocado. (Foto e letras Herta)

A ANGÚSTIA E O VAZIO

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Arte e foto: Herta Scarascia Acordo. E quase sempre quando acordo, embora eu tenha tantos amores, motivos-amores, motivos-vida, cheiros, aromas, cores e uma vista que me remete aos meus seis anos de idade, quando eu morava na Vila Gianetti, porém em outro ângulo, mantendo o mesmo  morro, o mesmo céu, os mesmos cantos de pássaros, os mesmos flamboaiãs  (e quase posso sentir o mesmo cheiro da tortas das doninhas que competiam subliminarmente o dom da cozinha, menos minha mãe, que sempre estava trancada no mundo dela com uma dúzia ou mais de livros, tão inacessível quanto o Everest é pra mim), eu sinto angústia.  Sim, eu sinto angústia. Meu peito dói. E sinto que não quero viver. Corre-me na espinha o sentimento de que somos extremamente vagos, efêmeros e quase dispensáveis.  Pra que viver? Sempre procuro essa resposta. Porque, no fundo, o que sinto é um vazio. Um sentimento estranho que não se sabe localizar, não se sabe achar, não se sabe expli...

BENTO

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Sem mais delongas, isso se chama AMOR. Se com ou sem açúcar, não sei. Sei que se chama AMOR.   E, de novo, aquele velho sentimento de que nada vale a pena, só o amor.  E de novo, aquele velho sentimento de que o amor é sim, um céu, um céu cheio de sol, de lua, de estrelas, mas as pontinhas das estrelas dão pequenas cutucadas e fazem doer... e dói, dói, dói!  Amar dói! Meu pequeno lindo Bento, meu primeiro lindo neto, o que mais pode sair de mim além de um coração cheio de amor? Peço, contudo, aos anjos  de luz, que te guardem em todos os caminhos, que te livrem de todo o mal e que te encham a vida com o que realmente vale a pena ser vivido.   Assim seja, meu bebê, meu amor!   (vovó Herta)

ÓPIO

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           ◘        ◘       ◘         ◘       ◘        ◘       ◘        ◘      ◘        ◘       ◘         ◘       ◘        ◘          na perda  da essência do  sentido a  papoula  abriga  o desmedido o ópio alivia o exaurido e ambos  hospedam o vencido (Herta)                                                                                                     ...

MÃE

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Foto da minha mãe, Yvonne (arquivo pessoal) Mãe? Mãe? Mãe...........?  Tudo bem? ............ Tudo bem, mãe! Eu só vim pra dizer que te perdoo Por tudo e por nada Sabe? Mãe é assim mesmo Tem sempre culpa de tudo e de nada  E invariavelmente desfruta de um pouquinho de lucidez e de loucura E daquele velho olhar - perdido - de quem já não sabe mais quem é De quem já foi princesa e agora é plebeia Sabe, mãe, às vezes sinto seu perfume Sabe, mãe,  seu vestido de casa, tão lindo, surrado e florido?   Tá lá,  encostado na memória de quem teme viver sem você Com as cores de sempre, em novas, mortiças e desvanecidas primaveras E aquele seu jeito cheio de classe, de saber dizer sem dizer?    Bem, este cheira a mofo num canto qualquer de um abismo chamado amor Eu te perdoo, mãe! Por não me olhar um pouco mais Por não me compreender um pouco mais Por não ter ficado comigo um pouco mais... Me perdoe,...