PARA MEU PRIMOGÊNITO, LUCAS
Foto: Herta Scarascia
Há 36 anos, uma menina quase moça
- ou moça quase menina - queria ser mãe. Mas como? Era apenas uma menina quase
moça! Então, ela amarrava um travesseiro
bem firme na barriga e usava um vestido
de flanela verde claro e largo por cima. E ficava se vendo de lado, no espelho da sala
da república onde morava, na Travessa da Saudade – ah, que saudade! -, em São
Leopoldo, no Rio Grande do Sul.
Uma vez era maio, Dia das
Mães, e ela, que não era mãe, ganhou um
namorado. E juntos viveram de rock’n’roll e rock prog. Numa bela tarde, no final de novembro, ela
descobre que seu desejo maior, o bebê, estava a caminho.
E lindo, lindo, chegou colorindo
a vida dela. Eram sempre duas bolas azuis a olhar para tudo e para todos. A
olhar para o mundo. Duas bolas azuis
como a lua, se a lua fosse azul. Às vezes, a lua era azul!
E o bebê foi crescendo, crescendo e, quando menino, já aprendera a ler entre quatro e cinco anos. Tão precoce aquele pequeno!
E o bebê foi crescendo, crescendo e, quando menino, já aprendera a ler entre quatro e cinco anos. Tão precoce aquele pequeno!
Muito esperto, gostava de tudo que era “coisa
de menino”: bola, jogo de botão, carrinho, bolinha de gude, álbum de figurinha
de jogador de futebol e todo esse universo tão encantador.
Não há firula no universo masculino. Há questionamentos, curiosidades, pensamentos mágicos de que, dentro de algum brinquedo, haveria uma fábrica de homenzinhos trabalhando e fazendo aquilo funcionar.
Não há firula no universo masculino. Há questionamentos, curiosidades, pensamentos mágicos de que, dentro de algum brinquedo, haveria uma fábrica de homenzinhos trabalhando e fazendo aquilo funcionar.
E ela achou encantador ser mãe de
menino!
Depois veio uma época complicadinha: o menino adorável ficou respondão, cheio de razões, só queria os amigos... e a rua! E suas ideias malucas tomaram lugar na mesa, no quarto dele, na escola, enfim, o mundo era só dele, e de mais ninguém.
Depois veio uma época complicadinha: o menino adorável ficou respondão, cheio de razões, só queria os amigos... e a rua! E suas ideias malucas tomaram lugar na mesa, no quarto dele, na escola, enfim, o mundo era só dele, e de mais ninguém.
A mãe ficou de lado, bem como todos que o
cercavam, o pai e os primos, tios e avós, incluindo a avó preferida, a vovó Yvonne.
Foi então que, de repente, o adolescente voltou sob a bela forma de um rapaz. Encantador, sorridente, pensador, o jovenzinho gostava de ler, de trocar ideias, de aprender e de pensar, sem jamais se esquecer dos amigos, de rir, ria muito... ria e ri muito. E sempre!
Mas a grande paixão surgiu em ritmo progressivo, literalmente.
E foi naquela época, inebriado pelas bandas de rock prog, que o jovem rapaz, já há muito ninado ao som de Pink Floyd, Genesis, Marillion e outros, foi abduzido pelo rock prog. Desde então, coleciona álbuns de milhares de bandas conhecidas e desconhecidas. Coisa que nem o atavismo explica.
Ele dormia e comia música. Escutava as músicas que a gente ouvia desde os anos 70, quando eu punha travesseiro na barriga. E como ria!!!
Foi então que, de repente, o adolescente voltou sob a bela forma de um rapaz. Encantador, sorridente, pensador, o jovenzinho gostava de ler, de trocar ideias, de aprender e de pensar, sem jamais se esquecer dos amigos, de rir, ria muito... ria e ri muito. E sempre!
Mas a grande paixão surgiu em ritmo progressivo, literalmente.
E foi naquela época, inebriado pelas bandas de rock prog, que o jovem rapaz, já há muito ninado ao som de Pink Floyd, Genesis, Marillion e outros, foi abduzido pelo rock prog. Desde então, coleciona álbuns de milhares de bandas conhecidas e desconhecidas. Coisa que nem o atavismo explica.
Ele dormia e comia música. Escutava as músicas que a gente ouvia desde os anos 70, quando eu punha travesseiro na barriga. E como ria!!!
O coração da mãe se tranquilizou.
E quando ele se fez homem de vez, levou junto as música e pensamentos e, com diploma e emprego, foi-se vida adentro.
Levou aquela alegria que entrava e saía de casa sem pedir licença ou avisar. E deixou um vazio tão grande, mas tão grande, que nunca mais foi preenchido.
E quando ele se fez homem de vez, levou junto as música e pensamentos e, com diploma e emprego, foi-se vida adentro.
Levou aquela alegria que entrava e saía de casa sem pedir licença ou avisar. E deixou um vazio tão grande, mas tão grande, que nunca mais foi preenchido.
Hoje, as duas bolas azuis, com a ajuda
incontestável da companheira, estão dando continuidade a esse estranho fenômeno
chamado vida, por meio de mais duas
bolas enormes parecendo a lua, e são luas.
Agora, a mãe da criança que se
fez homem quer dizer a esse filho, esse filho legítimo do sol e do vento da
primavera mais bela que ela já viu:
- Obrigada, Lucas, pelos seus 35
anos de existência. Obrigada pelo seu carinho, dedicação, caráter, hombridade,
simpatia. Obrigada por ser tão verdadeiro, por ser leal, por não gostar de
fofoca, de falar mal das pessoas, por ser um filho de grandezas, por ser
responsável e extremamente trabalhador, por demonstrar todo amor ao irmão, em
todas as circunstâncias, por ser um marido companheiro e fiel, por ser um pai
sem palavras de tão carinhoso e dedicado e... muita obrigada por uma infinidade de outras
características que não caberiam aqui.
Você é, como eu gritava lonnnnge, na porta de
entrada da casa, ao chegar do trabalho: - LUZZZZZZ......
E você, apenas com dois aninhos,
com aquela vozinha de bebê, com os bracinhos abertos e, quase caindo, vinha correndo, completando a
frase:
- ...... DA MINHA VIDAAAAAA!!!
TE AMO. QUE DEUS ABENÇOE SEMPRE TODA SUA FAMÍLIA!
FELIZ ANIVERSÁRIO, MEU ETERNO PRIMOGÊNITO!
(De sua mãe, Herta, um tanto criança, um tanto mulher,
um tanto alegre, um tanto triste, um tanto inflexível, um tanto permissiva, mas
totalmente AMOR!)

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