MÃE

Foto da minha mãe, Yvonne (arquivo pessoal)

Mãe?
Mãe?
Mãe...........?  Tudo bem? ............


Tudo bem, mãe!
Eu só vim pra dizer que te perdoo
Por tudo e por nada

Sabe? Mãe é assim mesmo
Tem sempre culpa de tudo e de nada 
E invariavelmente desfruta de um pouquinho de lucidez e de loucura
E daquele velho olhar - perdido - de quem já não sabe mais quem é

De quem já foi princesa e agora é plebeia

Sabe, mãe, às vezes sinto seu perfume
Sabe, mãe,  seu vestido de casa, tão lindo, surrado e florido?  
Tá lá, encostado na memória de quem teme viver sem você
Com as cores de sempre, em novas, mortiças e desvanecidas primaveras

E aquele seu jeito cheio de classe, de saber dizer sem dizer?   
Bem, este cheira a mofo num canto qualquer de um abismo chamado amor

Eu te perdoo, mãe!
Por não me olhar um pouco mais
Por não me compreender um pouco mais
Por não ter ficado comigo um pouco mais...

Me perdoe, mãe!
Nos seus momentos de dor intensa 
Por várias vezes pensei que fosse melhor você partir
Dores de mãe, às vezes, são insuportáveis... 
E intransponíveis.

Pensei que, ao ver anjos, seus olhos parassem de chorar
E a sua alma ganhasse um arco-íris.

Mãe???
Mãe, você está me ouvindo? 

Só vim aqui pra dizer...

(Herta) 

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