PALAVRAS
Palavras.
Apenas.
Apenas.
Palavras escritas não têm flexão.
Podem ser elo de ligação, de desligação.
Um poema. Tolo, livre, perdido, profundo.
E até mesmo um haicai.
Podem, livremente, ir e vir.
Palavras.
Palavras.
Inócuas, profundas,
marcantes, tocantes.
Azuis, amarelas, quadradas, enquadradas.
Castelos, de areia ou de mármore – de
Carrara ou de qualquer barraco .
Discorrem pontes ao infinito.
Tornando o piso escorregadio.
Transformam pedras onde havia areia.
Tampam a luz que jazia insone sobre o travesseiro.
Perdem-se no eterno inconsciente,
Alagando a
pista da vida cansada.
Palavras, palavras... vomitadas ao léu, como estas,
que saem quente feito um fogaréu.
Ou frias, sem sentido, como picolé de chuchu.
No princípio, dizem, era o Verbo... e o que fizemos
com o Verbo?
Ah, sim! Estamos conjugando.
Eu, tu, ele, nós, vós, eles...
Não palavramos nada.
(Herta Scarascia)
(arte: Herta Scarascia)

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