GAIOLA
Fechei os olhos para o mundo
Agora já não quero saber
Saber, ver, ouvir, compreender, comprar, fazer, trabalhar,
suar, vencer ou perder
Quem disse que tempo é dinheiro?
Coisas de mercenários calvinistas
Me sobra esse falar, escondido em letras de computador
Minha letra, ah, tão linda, anda errante por conta
Desse metal branco prateado
Não, não me drogo.
Me drogam.
Lítio... Me deram lítio.
Eu bebo e como lítio e outros tipos afins.
Vivo numa gaiola
De ouro, de prata e de bronze.
Belo campeonato!
Muitas vezes, vejo ferrugem.
Então, pode ser que seja de lata mesmo.
Mas é uma gaiola cara, viciante e obcecada.
Sou, como dizer, uma passarinha errante
Que já não sabe o que fazer se puder voar.
Pois já cansada, abatida, viciada e inútil.
Não sei o que é ser livre.
Fui livre. Era bom. Era caro também.
Ser livre tem alto preço.
Acaba que não se é mais livre
Ser presa ou ser livre
Ser presa ou ser livre
Fui livre, de verdade, enquanto sonhava.
Sonhava, de verdade, enquanto fui livre.
Hoje não sonho nem com a liberdade de ser livre.
Não sou livre nem para sonhar o sonho de sonhar.
(Rabiscos e foto: Herta)

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