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A ELEGÂNCIA É SIMPLES

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Simplicidade é elegância. E a elegância é simples. Ser simples e elegante é um portal para a gentileza. Na atual conjuntura desse país, as pessoas estão perdendo o senso da gentileza. Não é mais uma música para cada baile ou se cada um escolhe se dança ou não. Estamos perdendo a simplicidade e, consequentemente, a elegância. Estamos perdendo o respeito. A nós, a vós, a eles. A partir das arestas propostas, escolhe-se, portanto, enxergar a vida. Não só a que nos circunda, mas a de todos, de uma maneira geral. É quando percebe-se desconexão, raiva, desagregação, alienação... e muitas vezes, ódio. No entanto, é possível, à custa de alguns esquecimentos, várias alienações, infindáveis perdas de contatos, tentar enxergar um lado de vida que possa ofuscar a feiura, o degradante. Deve-se buscar, mas que fique claro que em luta quase solitária, enxergar beleza no que sempre foi belo, naturalmente belo, no sentido de despertar o encanto no ser que suscita se...

DIVÃGANDO

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Quanto mais você bate, mais ele arreganha os dentes.  E entica pra apanhar mais.  Isso magnetiza e atrai outros pensamentos, ainda mais perturbadores.  E até então escondidos.  Se era um nome, vem um sobrenome.  Se era um rosto, surge uma textura de pele, um cheiro, um jeito de olhar. Se era fantasia, os fatos se mostram.  Se era sonho, o horror se escancara.  Pensamentos quase proustianos: quimera perdida.  Humanos tolos, sonhando com a velha vestimenta, que parecia tão confortável, mesmo custando a dor e o fétido  do bolor.  Essa atração pela velha matriz chega a ser repugnantemente confortável. Pobres humanos!  Perdidos em barcas malogradas nas calmarias nauseantes da vida.  Fotos e letras: Herta Scarascia

MENINAS DO NORDESTE

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Recônditos sórdidos, Esquecidos! E perdidos... Achados ora ali, Ora lá, Por um ou outro. E aqui,  Pelas minhas lentes, meu coração  E pela minha alma. A menina das bonecas, Que no chão pareciam vencidas. Reversas tais miseráveis refugos, Num bar de estrada sem fim, Vivendo num acampamento de lonas pretas, Pretas demais, velhas, furadas, sujas, Debaixo do sol escaldante daquele lugar sem água, Sem sombra, sem Deus... Lúgubre, sem luz, sem alegria Posto que apoiava-se em si mesmo, Estava com sua avó, Que dizia esperar, esperar, esperar... A tão sonhada reforma agrária  Que, até então, só nos sonhos morava. A que lava a louça, em outro lugar, Bem distante dali, Nem se importou com minha presença. Uma presença branca demais para sua realidade. Branquela vergonhosa...  E fortuita que, Ao fotografar os rincões do Nordeste, En...

PAI

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Há anos não te tenho por perto Você já se foi mesmo! E não me lembro de quando se foi... A imagem de um homem na busca por um lenitivo Para tornar sua vida mais leve E para encontrar um viver só seu Fez com que o sol sempre te achasse E te tornasse, de fato, mais forte. Agora, pai, seu rosto está marcado Pelo tempo de labuta, Quando, ao sabor da luta, Percorria corredores de hospitais Nas frias madrugadas em ação Domando a solidão e a incompreensão. Lutando pelo sustento de uma família Que insistia pela sua presença. Lute. Lute mais um pouco. Erga a cabeça, velho pai! Alguns heróis não têm medalhas, Embora vencedores de mil batalhas. Pelos doentes que cuidou, Não será nunca esquecido. Sua história será lida Pela lida da mãe que do ventre Pariu em meio à dor Os filhos que contam sua história E pelos filhos que te sobraram E mesmo pelos pesares Te amaram  Pelo que você pôde dar... Pelo que vo...

ELA E ELA, OPOSIÇÃO E COMPLEMENTAÇÃO

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Foto: Herta Scarascia Dizem-na aonde ir, o que falar, o caminho a seguir. Dizem-na qual mundo é o melhor, a luz a seguir. Dizem-na tanto, que ela já está surda. Uma surda sorridente. Às vezes, chora. Finge que ouve. Mas ouve o silêncio dentro dela. Cria silêncios. Caminha no seu mundo, escuro, claro, chiaro/scuro. Muitas vezes em náuseas. Gengibre, limão, cravo-da-índia, folhas de hortelã. Com agrado, expurga dela o que não quer ver Nela... Foto: Herta Scarascia Nos crepusculares momentos de solilóquios Ou de pura solidão. Então, deixam-na. Já teve momentos de apego aos dogmas, aos ritos humanos, ditos supra humanos, num limbo de sombra e meia luz, de dúvida e de fé. Também não aceitava palavras mágicas, tolas, que vendem nas esquinas dos desavisados, como barganha para uma alegria falsa, que não cabe em mentes inquietas. E sofria. Todos, absolutamente todos, estão longe dela. E ela, deles. Ela vem procurando comprar uma linea...