SENTIDO DA VIDA

 Há muitos anos atrás, eu, ainda jovem, com muita saúde e cheia de sonhos, carregava dois filhos meninos no colo e no coração.

A partir da maternidade, eu percebi que viver era promover vida. Havia duas vidas que dependiam de mim, em menor ou maior escala, e que isso seria a minha missão.

Uma missão difícil, porém cheia de propósito, de sentido e de amor.

Com o passar dos tempos, eu percebi que as vidas que dependiam da minha própria já não eram mais dependentes.

Inicialmente, isso me causou certo espanto com relação à minha própria existência.

Mas com o tempo, fui carregando um tipo de sentimento que não pesava mais. Era a tal liberdade, que de certa forma cobrava um preço que eu comecei a compreender a cédula que eu tinha que pagar por ela.

Era um misto de receio, falta de sentido, desesperança, morte de sonhos e solidão existencial.

Mas também percebi que a minha inutilidade poderia me trazer conforto 

E como eu não tenho mais utilidade nenhuma na vida... e me tornei adoecida e frágil por diversos motivos, sem vitimismo,  eu vivo por viver, muitas vezes desejando o fim daquilo que chamam vida. 

Viver pra respirar, observar, tomar banho, dormir e comer.

Prosaico assim...

Antes, eu colocava algum tipo de "sentido" na vida. Hoje, o sentido é não sentir nada. Tudo é nada. E nada é nada. 😊

E de bom coração, com a mente ainda sã, elevo para os céus a minha esperança de que, um dia, toda essa loucura chamada vida se transforme em um sonho perdido há tanto tempo que, ao tentar se lembrar, percebo apenas sombras desconexas. 

Herta Scarascia, 11 de outubro de 2026

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