AMOR MAIOR

 Lucas, Renata, Bento e Malu
Fotografia: Herta Scarascia



Pietro, Mariana, Theo e Levi
Fotografia: Herta Scarascia


Quando eu fui mãe pela primeira vez, eu mergulhei num novo universo. 

Eu era muito jovem, mal tinha chegado aos 20 anos. E queria muito aquele filho. Temia não saber cuidar como gostaria. Mas soube, talvez melhor do que eu imaginava. Um amor, jamais sentido antes, se instalou e nocauteou meu coração. 

Depois de um tempo, eu temia não amar o segundo filho, que chegaria três anos e meio depois. Não, meu coração não tinha espaço para mais nada e ninguém. Ele era todo do Lucas, meu menininho loiro, branquinho, com bochechas redondinhas, de olhos azuis sorridentes e muito curiosos. 

Mas chegou o Pietro. E meu coração milagrosamente cresceu. Parecia um membro feito de elástico. O Lucas não diminui para que mais um pudesse caber.  Não é assim. Coração de mãe se amplifica. Ele cresce. Aumenta. E aquela dor, que toda mãe conhece, que vem acompanhada daquele amor imensurável, cresce junto também. 

Pensei: eis que minha vida será para eles, numa dedicação completamente altruísta. E isso me fez bem. Faz a gente ser melhor. Faz com que aquelas crianças cresçam mais saudáveis, emocionalmente falando. E a maioria de nós, mães, é assim. Mãe que não corta na carne pela sua prole não é lá grande coisa.

 E quando achei que meu coração estaria completo e mais descansado, eis que um tsunami surge e desarruma tudo. Faz dois mais dois serem cinco, faz com que eu não entenda mais aquele novo tum, tum, tum do meu coração, então novamente apertado, gritando, anunciando aos quatro mundos que existiam pequenos seres rodeando meu universo e fazendo meu sangue correr diferente. 

É um amor que nem é mais amor. Não foram gerados por mim, não cresceram no meu útero, não se alimentaram no meu seio, não me levantei de madrugada para curar as febres e medos dos imaginários fantasmas,  não aconcheguei na minha cama quando os relâmpagos e trovões estavam fortes demais, mas um amor que nasceu ali, em cada um daqueles pequenos seres. 

É um amor descomunal, que desconstrói qualquer espécie de razão. Meus quatro netinhos me devolveram vida por meio de um novo amor vulcânico, que extrapola qualquer tentativa de explicação.  E, por eles, também amo minhas noras, mulheres trabalhadoras, mães e esposas empáticas, intuitivas, sinceras e, acima de tudo, mães iluminadas. 

Agradeço a Deus, com toda a gratidão que existe em mim, por todas essas lindezas que povoam meu pequeno grande mundo!!!

(Herta Scarascia)

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