COVID-19 E O DEPOIS




Hoje, 8 de abril de 2020, aqui no Brasil os casos de coronavírus estão em plena ascensão. Acontece exatamente como ocorreu nos países onde o governo (de direita e centro direita) fizeram: ignoraram os avisos de que se trata de uma pandemia, de que se trata de mortes, de muita gente doente, de uma devastação e de uma calamidade no sistema de saúde.

Como em qualquer país onde o capitalismo é selvagem, onde a preocupação não é o ser humano, mas o dinheiro e questões  meramente econômicas, aqui, e precisamente aqui, no Brasil, não foi dada a devida atenção às questões humanas.

E em rede nacional, bem como em outras mídias, por várias vezes, vemos o povo alienado, "solto" nas ruas, nos mercados, nas praias, enfim, parece que não entendem que é um caso de vida e morte. Não entendem que não é para abandonar a quarentena, que, segundo a Organização Mundial de Saúde, é a única forma de conter esta pandemia, pelo menos por enquanto.  

Muitos querem ver todos de volta ao trabalho, reabrindo seus negócios. Saindo de casa. É uma medida arriscada.
Sim, qualquer um diria: isso é loucura! 


Mas o carro anda. E um dia tudo isso será lembrança.
Lembrar?
Com o fim dessa nova praga, quem vai se lembrar? Quem vai querer se lembrar?
Muito pouco vai sobreviver das boas intenções, das boas ações e da humanidade depois de terminada toda essa desventura.

Por outro lado, muito de interesse, de desespero e de cegueira pelo dinheiro e pelo poder vai acirrar este planeta.
Não nos enganemos. O ser humano só é solidário quando ele mesmo está na dor.
E não vamos nos iludir com as músicas cantadas nas janelas.

Só vão se lembrar do susto e  da dor aqueles que, porventura, tiveram contato com a doença ou que tiveram seus queridos doentes ou mortos. 

O desterro, o exílio e a solidão de quem teve contato com essa dor jamais será sentido por outra pessoa.
Essa experiência será sempre um abismo tatuado na própria pele.

Depois de tudo, ninguém mais vai querer ouvir as palavras que estão engasgadas, prontas para sair, ou as curar as lágrimas presas numa ilha onde mais ninguém pode viver. 

Ninguém mais vai querer ouvir ou saber.
A dor vai ser sempre sua, minha ou de quem mais a viveu.

O mundo terá pressa, mais ainda, para limpar sua sujeira e fazer outra. Maior talvez. 

Terá pressa para matar os ratos que correm feito loucos pelas becos escuros.  Pressa para juntar o lixo. O mundo terá pressa para ser novamente o que sempre foi.

O planeta vai se pintar de novo, vai se lavar, tomar banho  e se vai  recuperar, mas vai continuar como sempre foi: autocentrado, sujo e altamente capitalista.

O Covid-19 não vai mudar a consciência de ninguém!

E quem sabe seja mesmo este o instinto de sobrevivência do ser humano quando se depara às grandes tragédias? Fingir, esquecer, fazer de conta que tudo acabou e que nunca mais vai acontecer de novo, afinal, nós somos os humanos, os grandes protagonistas do planeta.

O grande problema é que este humano, que se arvora à condição de “grande”, ele, ele mesmo, foi o criador e é o criador das grandes desgraças desse mundo, como a   Covid-19, por exemplo.
(Fotografia e texto Herta Scarascia)

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