MENINA MENINA-MOÇA




Menina, menina-moça...
Cor-de-rosa-rosa
Menina-crescendo
Ainda mal encorpada!
Não se apresse em nada.
Apenas viva, assim,
De um jeito não comum,
E tão comum!
Com a coragem de quem atravessa ruas e avenidas 
Sem enxergar muito bem.


E se houver algum afinal, enfrente, 
Afinal, pode se achar mais bonitinha
Num lápis-lazúli
Ou até mesmo na rebeldia
De um lápis de cor inteirinho. 
Eu também já fui menina, menina-moça,
Rebelde como tantas
Só que eu tinha causa.
E como a maioria de nós, cercada de sonhos.


Queria ser feliz.
E rir, rir muito. Rir de tudo e de nada.
Viva, menina-moça, que esta fase
É vestida de quimeras e ilusões.


Um dia, vai olhar pra trás
E ver que o tempo apagou tudo
Como vento na areia.
Que num rompante os sonhos saíram voando.
E não voltaram. Nunca mais.



(Fotos e letras: Herta Scarascia)

Comentários

  1. No nevoeiro das lembranças, a utopia de uma felicidade que se enxerga depois do tempo. Aquela menina dos teus sonhos que ainda vive em ti, constrói na tristeza da constatação dos anos que se passaram (e ainda passam) a esperança de viver em outras meninas-moça a alegria que tu tanto insiste para que elas mesmas a percebam. Talvez em vão. Tomara que não. Perfeita a tua poesia.

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