AUTOCENTRADOS

(eumismo)

O que nos arrebata - a todas nós - a aceitar essa condição de busca pela juventude, ou busca por alguma coisa que nunca existiu, só pode morar no imaginário mais efêmero e tolo. 

Valores devem ser derrubados e novos paradigmas, avaliados. Caso contrário, pobreza emocional e sofrimento. 

Já vivemos tempos pobres! 

O mundo está pobre. E podre.  

Em toda relação se presume, no mínimo, duas pessoas. É necessária uma troca. É i talTwo to Tango. Para se dançar um tango, pelo menos, duas pessoas têm que estar ali, dispostas a fazer a dança acontecer.

O que tá rolando hoje em dia é que muita gente, mas muita gente mesmo, tá dançando tango, valsa e o diabo a quatro sozinha. 

A turma tá se lixando para o fato de que É NECESSÁRIO um outro ou outra pra coisa acontecer, mesmo em nível de amizade.

E isso é a base mais rudimentar da filosofia, creio eu, na minha humilde interpretação de leituras: a interrelação pessoal, a troca entre as pessoas.

Já li, em algum lugar, que o encontro entre as pessoas, feito com base na necessidade de estar junto, trabalha como uma ponte, seja esta uma relação familiar, amorosa ou de amizade.  Nela, cada uma das pessoas tem um caminho a ser percorrido, que seria mais ou menos a metade. A outra metade é um “dever” tácito da outra pessoa, e vai acontecer de acordo com o tempo e a necessidade de cada um dos envolvidos.

Gente, relacionamento é complicado. Até com a gente mesmo é complicado.
Se não houver doação, quero dizer, se não existir esse caminho até a metade da "ponte" onde estão envolvidos, tanto a empatia, o olhar, o buscar, o falar e o tentar entender não vão acontecer. 

Eu acredito piamente que é isso o que está ocorrendo de uns bons tempos pra cá.
As pessoas n
ão estão nem mesmo interessadas na tal ponte, quanto mais em caminhar sobre a mesma em direção ao OUTRO.


Estamos nos asfixiando de n
ós mesmos: de nossas necessidades, de nossos prazeres, de nossos gostos, enfim, de tudo o que se relaciona a NÓS.


E da
í, claro, entram esses selfies que nada mais são do que os sintomas dessa doença chamada eumismo (neologismo meu): eu comigo mesmo fornecendo prazer a mim para que eu mesmo veja e, de quebra, outros também possam admirar, claro! 

O que tá rolando é que, se observarmos a fundo sobre o que significa EGOCENTRISMO, nós vamos encontrar inúmeras definições, com quase todas elas voltadas para o mesmo tema: somos gente que nos referimos a tudo sempre na primeira pessoa do singular (eu) quase o tempo todo: eu gosto, eu não gosto, eu posso, eu não posso, e por aí vai. 

Embora a autoestima seja baixa, a gente tá o tempo todo tentando demonstrar um amor a nós mesmos fora no normal: o melhor carro é meu, a melhor casa é minha, eu tenho o melhor discurso. Uma chatice.

A falta de interesse e de consideração com o problema e a com a dor do outro já virou lugar comum.

(Herta)

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