LEMBRANÇAS DA ROÇA

Foto: Herta



Momentos, lugares, ares...  elementares.
Queimam estômago vazio. Bile infernizando.
Instantes-ápices. Ciclos-fases. 
Epifania do mal!

Alma dança em sorriso criança.
Saúda o idílio com gosto de milho verde, cana de açúcar e confusão.

Quente, esfumaçado,
Saindo do fogão a lenha.
E a memória rasga a roça.
Carro de boi chorando, chorando...
Roda d'água minguada. 
Vaidosa! Só não chora de orgulho.

Pé sujo de terra.
Cuidado, menina, com prego solto por aí.
Que nada. Só tinha olhares para outros pés: de moleque!

E para angu, em lascas de fundo,
Ela derrama com susto de leite fresco 
Vaca boba!

Quero leite pra tomar com raspa de angu com sal.

Cheiro de café.... na roça é diferente. 
Gente feliz. Que fala pouco. Olha de soslaio.
Uns meio Jeca Tatu: vê tudo com a carcunda no carcanhá. 
Uns trabaiadô de dá dó! 

Mas a lambera era mesmo macunaímica...
Eita preguiça de vida! 

Roça, que de roça tinha tudo,
Até ovo de galinha feliz.
Ovo quente que Zé buscou.
Ah, não!!! Aquele tinha vingado.

Ô, Zé!
Busca outro... da mesma galinha feliz! 

No panelão escuro, fino e longo, o velho fogão a lenha, os ovos, o leite a manteiga e o cheiro fresco da roça tocam uma sonata ao milharal.

Sai "profumo" da roça lá de Visconde. Qual Visconde?
É do Rio Branco, gente! Região simples dessas bandas.
Né Visconde rico, não, seu moço, mas é Visconde bão. 
Até dá saudade!

É onde a menina nasceu! 

(Herta)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PARA MEUS NETINHOS GÊMEOS, THEO & LEVI...!!! ou LEVI & THEO...!!!

MALU

EU MORRI... E RENASCI (a Covid mata)