ESSAS INCRÍVEIS MULHERES HISTÉRICAS
Sabina Spielrein
(de “louca”
a médica)
Sheyve (Elisheva)
Naftulovna Spielrein
Nasceu em Rostov do Don,
Império Russo - 7 novembro de 1885
Morreu em Zmievskaya Balka, Rostov do Don, Império Russo - 12 agosto de 1942 – 56 anos
"Eu fui uma vez um ser humano."
28 de agosto de 1913
Sabina Spielrein
Eu estranho os médicos, os pesquisadores
e os psicanalistas - daquela época da criação da psicanálise - baterem o martelo
dizendo que a histeria, também vista como sintomas de doenças psicossomáticas
como a enxaqueca, a síndrome do cólon irritável, as náuseas – sartreanas ou não
– as úlceras, as dores no peito, a dermatite, a psoríase, o herpes, a enxaqueca
e a depressão, além de uma infinidade de outras, não tinha cura.
Ainda hoje muitos afirmam que esse leque indecifrável encontrava-se em um campo
desconhecido, cinzento e inacessível, a não ser por meio de drogas.
No entanto, pelo menos duas pacientes
famosas, de dois médicos muito mais famosos ainda, foram tidas como, se não curadas, totalmente reintegradas à
sociedade, sendo uma delas a judia/russa, Sabina Spielrein.
Sabina foi internada para tratamento de
histeria aos 20 anos de idade em um hospital para doentes mentais, em Zurique, na Suíça.
Seu médico era Carl Gustav Jung, então com 29
anos de idade.
Extremamente doente, com fortes e sucessivas
crises histéricas, Sabina também era dona de uma inteligência rara, o que fez o
jovem Jung se interessar de forma diferente por ela, mesmo ele sendo casado. O caso amoroso entre
os dois foi mantido por muitos anos.
Sabina se torna médica
(psicanalista/psicoterapeuta), mantendo trocas de cartas com Freud e Jung
durante todos aqueles anos.
Estes dois – Freud e Jung - viriam a romper a
amizade entre eles anos mais tarde. O motivo era simples, incompatibilidade de
ideias no campo da psicanálise.
Freud - e todos sabem disso - era extremamente vaidoso e temperamental para manter amizade com qualquer
pessoa que não comungasse com suas próprias ideias.
O que importa é que Sabine venceu,
trabalhando o pequeno resto de sua vida (morreu aos 56 anos de idade) como psicanalista e psicoterapeuta, publicando
vários trabalhos.
Viveu os seus últimos anos na Rússia, tendo-se casado e
formado família.
Bem, de fato ela não viveu muito, mas quem vivia muito naquela época?
Ah, sim, Jung, Freud, Breuer!
Além disso, ela tinha uma enorme sensibilidade e uma "dor de alma" que não passavam. Simplesmente não passavam!
Abaixo, um pequeno trecho do filme "My name was Sabina Spielrein", de Elisabeth Marton.
Bertha
Pappenheim ou Anna O.
Nasceu
em Viena, em 27 de fevereiro de 1859
Morreu
em Iselberg, na Alemanha, em 28 de maio de 1936
“O Amor não me alcançou,
Por isso eu gosto de pensar que
a Morte
Tem um rosto agradável.”
(Bertha Pappenheim)
Anna O. era o pseudônimo que Freud usava para proteger Bertha
Pappenheim. E assim fazia com suas
pacientes, quase todas da alta sociedade vienense.
Bertha = ele pegava uma letra anterior ao nome real => A
Pappenheim = e uma letra anterior ao sobrenome real => O
E assim sucessivamente.
Acho que era mais fácil para ele se lembrar.
Mas Bertha, antes, era paciente do Dr. Breuer, recebendo
o diagnóstico de histeria com múltiplos complicadores.
A hipnose, método desenvolvido pelo médico
psicanalista francês, Charcot, o qual nutro, pessoalmente, uma grande
admiração, foi utilizado sucessivamente no
tratamento de Bertha.
Ao falar com Breuer sobre suas condições e seus
traumas, e de maneira livre (pois ela estava sob hipnose), Bertha começou a sentir alívio do sintomas
ou até mesmo a remissão de alguns deles. E foi ela – creiam - a responsável pela criação
do termo “cura pela fala”, ao usar esse método com Breuer.
Ao usar e abusar do método da hipnose, Breuer chegou a várias
conclusões. Uma delas era a de que a neurose era o resultado de causas
ocorridas no inconsciente e que desapareciam logo que elas se tornassem
conscientes. Fácil assim.
E Breuer deu a esse processo, de transferência da neurose do
campo inconsciente para o consciente (por meio da hipnose), o nome de catarse.
Estranhamente, Breuer não quis avançar nessa técnica de cura ou
tratamento, embora Freud a tenha aprendido e a tenha levado para dentro do seu próprio
consultório.
Com relação à Bertha, Breuer também também teve que lidar com um
problema que, embora recorrente em consultórios de psicanalistas, é bastante
sério.
O caso de Bertha, além de não ser resolvido, apresenta um
complicador. A moça cria uma gravidez psicológica/imaginária, onde seu médico,
Breuer, seria nada mais, nada menos do que o pai da criança.
E ela anuncia isso, em meio a gritos de desespero, junto a várias mulheres da sociedade, entre
elas a própria esposa do Dr. Breuer, fazendo um escândalo em alta sociedade vienense,
comportamento, na época, simplesmente inaceitável ou, pelo menos, muito mal
visto.
Este fato culminou no encerramento do tratamento de Bertha por
parte de seu psicanalista, Dr. Breuer.
Freud chamou esse fenômeno (histeria) de ato transferencial,
que é quando o inconsciente é atualizado durante a sessão clínica para algo
que dá prazer ao paciente, mas, definitivamente, está longe da órbita da realidade.
Parece que houve certa paixão ou, de fato, uma transferência
mesmo (usando o termo freudiano) de Bertha com relação ao seu psicanalista, Breuer
que, diga-se de passagem, era um homem sério, ao contrário de Jung, por
exemplo, que manteve um caso sólido com sua paciente e, depois, aluna de
medicina em Viena, a russa-judia, Sabina. E isso por longos anos. Em seguida,
com outra paciente... E assim sucessivamente, até sua morte, já em idade muito,
muito avançada.
Por esse motivo, Freud a recebe como sua paciente, com a possibilidade de dar continuidade ao “tratamento pela fala” criado por ela,
Bertha, sem comprometer o colega, Breuer, pessoal e profissionalmente falando.
Com relação a Bertha, Breuer também não quis mais falar sobre o
caso dela e também não pôde, por motivos éticos, fazer um tratamento a dois com
Freud.
E tudo isso aconteceu exatamente em um momento em que Bertha
Pappenheim, exercendo um papel extremamente importante na pesquisa tanto de
Breuer, quanto de Freud, mesmo sendo paciente, e mesmo sem saber, contribuiu, mais
uma vez, para que a catarse, muitas vezes ocorrida com ela em várias sessões, desse vazão para a criação de algo muito
maior, mais forte e mundialmente conhecido: a Psicanálise!
Abaixo, O Curioso Caso de Anna O.
Breuer x Freud
Freud, em quase todos os livros que li, e muitos continham cartas trocadas entre ele e outros profissionais e até mesmo entre ele e alguns pastores de igrejas, padres e até rabinos, nunca se mostrava uma pessoa fácil. Era um tanto irredutível, até mesmo na doença (câncer), que o consumiu até à morte. Ele acreditava nas suas ideias, postulações, estudos; e não abria mão deles.
Apenas uma pessoa, no rol de amigos, eu percebi que havia um respeito mútuo, embora Freud não concordasse com todos os métodos utilizados por ele: Breuer. Este foi, desde o início, o seu tutor e o profissional a ser respeitado.
A relação entre ambos, sob o meu ponto de vista, era saudável, embora muitas vezes a ira descontrolada de Freud também recaísse sob Breuer.
A relação entre os dois, diferentemente da relação entre Freud e
Jung, sempre foi boa e produtiva.
O tema Bertha (Anna O.) tornou-se hermeticamente fechado e
somente Breuer tinha acesso ao avanço - ou não - do tratamento de Anna O. com
Freud.
Ela, aparentemente, se curou ao se ver livre do consultório de
Breuer, onde houve uma enorme transferência emocional e até mesmo passional.
Já com Freud, isso não ocorreu e ela conseguiu, de alguma maneira
, se ver livre dos sucessivos ataques de histeria e crises neuróticas,
retomando uma vida não só normal, como extremamente rica, socialmente falando.
No entanto, Bertha continuou manifestando algum tipo de histeria a ponto de ser internada mais algumas vezes. Isso se deu ao fato de que ela se sentia acuada, incompreendida e, várias vezes, a piora ocorreu com o
recrudescimento dos sintomas em razão do uso abusivo da morfina.
Ao se livrar da dependência e das sucessivas internações, Bertha
começa a se dedicar ao trabalho social em favor da dignidade da mulher judia.
E foi justamente longe do tratamento convencional e mais perto
do povo e do trabalho voluntário, que Bertha parece ter encontrado a sua cura,
senão o alívio dos sintomas.
Ela estava tão bem que, em 1902, Bertha fundou e dirigiu,
durante quase 30 anos, uma casa de assistência à mulher judia, chamada
Weibliche Fürsorge.
Era uma instituição que buscava lares estruturados para encaixar
crianças órfãs, ou seja, encontrar pais para os filhos sem pais e filhos para
os pais sem filhos. Todos eles judeus.
Bertha também foi responsável pela criação da primeira
instituição que, ao mesmo tempo, dava abrigo e criava lar para mães solteiras e
seus filhos, para crianças e meninas retiradas das ruas e da prostituição,
criando um órgão de orientação vocacional e de oportunidades de emprego para as
moças não se sentirem mal.
Em 1904, Bertha criou a Liga das Mulheres Judias. Ela foi a
primeira judia a lutar pelos direitos civis e religiosos da mulher judia.
Além disso, Bertha publicou vários livros: um de contos, de
1890. Uma peça de teatro chamada “Direitos da Mulher”, e traduziu para o alemão
um livro feminista chamado A Vindication of the Rights of Woman. Outra
publicação foi Sisyphus-Arbeit (O trabalho de Sísifo) e, em 1910, O problema
judeu na Galícia. No mesmo ano, Memórias de Gluekl von Hameln (a primeira
autobriografia de uma mulher na Alemanha), mais uma peça teatral, Momentos
Trágicos, e uma série de outros livros, peças e ensaios.
Josef Breuer
Foi o responsável pelas obras pilares da psicanálise.
Foi tutor de Freud.
Era médico com especialidade em psicanálise e fisiologia humana.
Nasceu em Viena, em 15 de janeiro de 1842.
Morreu em Viena, aos 83 anos, em 2 de junho de 1925.
“Pelo amor de Deus, pare! Pare de
pensar!
Abra os olhos! Veja! Deixe o mundo entrar!”
(Breuer)
Abaixo, "Do que se trata a psicanálise?", um bate-papo
ligeiro entre Breuer e Freud.
Abaixo, "Do que se trata a psicanálise?", um bate-papo
ligeiro entre Breuer e Freud.
Sigmund Schlomo Freud, o
grande “especulador da alma”
Neurologista,
psiquiatra, psicólogo, psicoterapeuta, psicanalista, literata.
Fundador da Psicanálise
Nascido em 6 de maio de
1856, em Freiberg in Mähren, Morávia (atual República Tcheca)
Morto em 23 de setembro de
1939 (Londres, Inglaterra), aos 83 anos de idade.
“Talvez os deuses sejam gentis conosco, tornando a
vida mais desagradável à medida que envelhecemos. Por fim, a morte nos parece
menos intolerável do que os fardos que carregamos.”
(Freud)
Abaixo, Sigmund Freud e suas teorias
Abaixo, Sigmund Freud e suas teorias





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