O ZARATUSTRA DE NIETZSCHE
Vejo o Brasil
mal.
Vejo a América Latina mal.
A terra do tio Sam, hmmm, clima duvidoso.. perigoso.
Mal.
Mal.
Vejo o
Velho Continente muito mal.
O Oriente... mal. Muito mal.
Não vejo, sinto
pelo que leio, a não ser com relação ao Brasil.
Aqui vejo, sinto e sei. E dói.
Há um pedaço
enorme da minha antiga fé que se perdeu, se liquefez, como mais um pedaço de
iceberg derretendo em algum dos polos.
A minha fé se
esvai, corre como sangue gelado em veias abertas e secas.
É pela
humanidade que ela existiu. É pela humanidade que ela geme e morre.
É pelos meus filhos e netos e quem vier que ela existiu.
E é por eles que ela, triste e dolorosamente, morre.
E é por eles que ela, triste e dolorosamente, morre.
Vejo gente
infeliz, assim como infeliz estão os animais, as matas, a chuva e os rios.
O ar tá infeliz!
O ar tá infeliz!
Vejo infeliz o
mar, batendo cansado na mesma rocha, já cansada de ser apanhar.
Não há
humanidade.
Humana + idade. Idade de ser humano. Idade do ser humano.
Humana + idade. Idade de ser humano. Idade do ser humano.
Todos estão
perdidos, açoitados, machucados e, paradoxalmente, açoitando, machucando.
São tempos em que o mal age pelo mal.
São tempos em que o mal age pelo mal.
Eu estou dentro
disso. Eu também estou fazendo parte da massa acéfala de gente incomum, mas em
lugar comum.
Fé cega em faca
amolada dá nisso, né, Bastos e Milton?
O que cega também corta e mata.
Já dizia Zaratustra, no alto da sua compreensão astral: "quem não prega sabedoria e virtude
deixa morrer sua essência divina."
A minha existiu um dia?
E não é que Nietzsche, ao negar o deus
dos ocidentais, estava abraçando um outro, muito parecido, porém, oriental e gerado
no útero mais genuíno do que chamamos não apenas deísmo, mas monoteísmo.
Esses filósofos! Viram a gente de ponta-cabeça tamanha falta de direção.
Veja bem, meu bem!
Você negou o deus de Abraão, Isaque e Jacó. Pois bem.
Compreensível, principalmente por ter sido criado dentro de uma igreja, revoltado e, para piorar, com um pai pastor evangélico, opressor na sua doutrina.
Concordo que deus está morto. Essa gente não sabe lidar com nenhum deus. Usaram deus para matar e não para viver. Usaram deus para odiar, e
não para amar. Usam deus!
Até aí estamos de acordo.
O que me deixa um tanto surpresa é encontrar o seu guru,
Zaratustra, em perfeita sintonia de adoração a outro deus e, ó, fiquei bege,
tão parecido com esse daqui, dos cristãos que matam em nome dele!
Vamos lá.
Dentro de um tal livro chamado Gathas existem cinco hinos que
formam a parte mais antiga do livro maior, o Masdeísmo, o Avesta (Pentateuco?).
A Bíblia parece uma compilação de histórias contadas muito tempo antes!
Os Gathas datam do final do segundo milênio a.C.
Foram escritos numa língua incrivelmente diferente, lá do
nordeste do Irã, e que é parente do sânscrito (bege 3).
Essa língua se chama “avestan gático”.
O Avesta original (pelo menos a maior parte dele) foi
completamente destruído. Como? Ah, o Alexandre Magno invadiu o pedaço e dominou
tudo por lá. Pra piorar, estava cheio do domínio islã.
É isso aí? Acabou?
Não. O danado do zoroastrismo se mantém como uma das religiões mais
antigas e de mais longa duração da humanidade. (bege 4)
Depois do domínio islâmico no Irã, o Masdeísmo passou a ser uma religião
quase inexistente, ou seja, de uma minoria.
Assim, o masdeísmo começou a ser perseguido pela nova religião
hegemônica.
Por isso, parte dos seguidores do masdeísmo migrou para o
noroeste da Índia. Lá foi criada uma comunidade Parsi.
Nos dias de hoje, não chega a 120 mil o número total de
seguidores do masdeísmo (zoroastrismo).
E tende a não aumentar por ser uma religião étnica (ela não permite
adesão de convertidos, embora atualmente haja maior flexibilidade por causa da
enorme quantidade de migração, secularização e casamentos entre raças e povos diferentes).
Muitas vezes é possível perceber que o princípio moral da doutrina
de Zaratustra é o dualismo Bem-Mal, que deve ser observado o tempo todo para se
evitar o mal.
Eu preciso tentar entender como Nietzsche não só cabe nesse tipo
de coisa como segue, de forma ferrenha e cega, não somente Zaratustra mas
também esse jogo de luz e trevas que a religião (sempre a religião) do filósofo
iraniano demonstra e prega, sem aceitar meias palavras.
Mais uma vez, repito: não há homem, não há ser humano neste
planeta que me convença de suas verdades, estudos, análises, teorias, enfim.
Talvez pelo coração?... Bem. Este é difícil de domar.
Torna-se, então, mais verossímil.
E que tudo mais vá pro inferno!
(Herta)

O texto acima é hermético. Há de ser feita uma exegese complexa mas, certamente, ele circunscreve aquela região fronteiriça entre a emoção e a razão. A autora inicia com um cenário pré-apocalíptico mundial e desemboca em antigas religiões tidas como "pagas" pelos donos chapa-branca de Deus. Mas é um discurso interessante e informativo. Apenas para ilustrar, assim como o zoroastrismo, os maniqueístas aparecem no terceiro século depois de Cristo e também reverberam a dualidade. O então Agostinho, antes do "São", era seguidor fanático. Mudou de religião que, aliás, prega as duas forças combatentes do universo: o bem e o mal (sempre eles, diria a Herta que, aliás, mora na filosofia - onde não tem rima). Valeu por mais esta obra.
ResponderExcluirNem sempre, mas quase sempre.... então, pra que rimar amor e dor?
ResponderExcluirPeraí... num gostei dessa análise, não. :((( Meio cheirando a ironia! :P
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