NADA


Não sou nada. Vim aqui pra nada, mas parir.
Pari como pare uma cadela.
Cria as crias até que elas se virem.
Depois vai, com suas ondas de cios.
Se dando aos cães que passam por ela.
Assim fui, um tempo...
Com um cão, manso, dócil e amigável.
Um cão que me deu pão, carinho e atenção.
Me aconchegou.
Mas cadela é cadela.
E só deixa o cio quando chega o tempo.
Meu cio se foi faz tempo.
 Outono da vida ____
Em breve, muito em breve, inverno.
E, finalmente... o esperado NADA.
Quero o NADA.
NADA em pleno outono.
Viver o NADA é pleno.
NADA, agora, é nada mesmo.
Nada de nada. Nada de tudo e tudo de nada.
Uma bola enorme, vazia, etérea e efêmera.
Como um útero inverso acolhendo o meu.

Delicioso, prazeroso, silencioso e absoluto_____________________________________
                                                                                     NADA!  
        
(Herta)




















       





Foto de Eliana Gomes Soares

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