LÁGRIMAS CORROSIVAS

(Foto: Herta Scarascia) 

Tem sido assim
Quando o  sol clareia, brando... E adormece,   crepuscular
E a Lua vem tentando suavizar meu rosto molhado de lágrima
Medito sobre a vida
Maldito mundo sem sentido
Lágrimas, suplico a cada gota
Não queime tanto minha face
Sim, prefiro lágrimas geladas a essas corrosivas
E tanto sei que são desperdiçadas... vã tentativa de aliviar
Um martírio interior, vivido no âmago do meu ser
Um ser, assim, tão complicado, tão denso e tão intenso
E eu odeio tudo isso. Como eu odeio
Sentir a tortura seguida da amargura do não saber mais
Não quero piedosas ações ou blefes de palavras vãs
Prefiro arder no inferno de Dante a me deleitar no céu de Santo Amaro
Talvez aceite o humor melancólico de Charlie Brown... ou uma noitada de ócio intelectual, mergulhada em gargalhadas eufóricas em vino veritas... com uma pitada a mais da minha doce loucura
Ah! Mas a luta (inglória) com o que não quero ver queima minh´alma...  e é a minha mortificação
Esta que não me permite um segundo de paz... onde há tempestades e calmarias
Calma.... calma... calma...
Minha eterna fúria... aplaque-se em versos e prosas
E em tantas lágrimas
Lágrimas de dor
Lágrimas de incompreensão...   de desencaixe neste planeta imundo
E também... lágrimas de Amor
Ah! Que haja logo uma profana crucificação desses desejos... 
Desejos Insanos.


(Herta Scarascia)


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